quarta-feira, 2 de setembro de 2009

VELHO MARINHEIRO - MANDA UMA GELADA AÍ.

Tava em paz, sossegado aqui na praia, e de repente a idéia brilhante: Vou abrir um botequim. E lá vou eu, em companhia da minha amiga ZUCA já proprietária de um, na beira mar. Eu com meus longos e bons vividos anos, imaginei: moleza. Vamos lá, compramos umas bebidinhas, umas cervejas geladas, fazemos umas comidinhas gostosas e tudo bem. Mentira, mentira, mentira. Querem ver. Primeiro, a discussão pelo contrato de locação do imóvel, que já estava guarnecido com alguns equipamentos, que -- simplisticamente --- imaginei seriam suficientes para o funcionamento. Engano. E lá vamos nós, depois de comparecer com um mês de aluguél adiantado, tomar posse do imóvel. Opa. Precisa de uma pintura. A cor não estava atraente. E afinal a gente pensava em um novo conceito. Pronto, lá vamos pedir tinta pro amigo ARISTEU u, rei das tintas. Dois, três galões, informações preciosas de que melhor se utilizar do material, e é só pintar. Mentira. Não sei pintar e não tenho o equipamento necessário. Então vamos atrás do pintor, ou melhor tintor, como diz meu folclórico amigo TIOZINHO, homem de mil e uma utilidades, e que já se escalou de tintor. Não preciso dizer, que a tinta não foi suficiente, e o tempo estimado, idem. Ficou a pintura pela metade. A parte externa, não carece, é só jogar uma águinha, vaticinou com ares de entendido o ilustre tintor. E, assim por conta do prazo que se extinguia, ficou como ficou. Paredes mais limpinhas, cores combinando e tudo bem. Vai dar pra abrir no dia aprazado. Mentira, de novo. A parede do fundo do prédio, na parte interna do balcão está literalmente se esfarelando. Descobre-se então a pólvora. O prédio contíguo, permite que a água da chuva se infiltre entre os dois imóveis e umideça ambas as paredes, e pronto, não tem tinta que dê jeito. Entra em ação, BANANA, dublê de corretora e decoradora, e por conta de alguns tecidos estrategicamente espalhados, dá um jeito elegante na questão. Aliás, quem não gostou dessa última intervenção, foi o cara - Paulinho - que pretendia produzir uma solução mais técnica, que acabou sendo adiada. Restou ao Paulinho, ajudar na terminação da pintura. Aliás, providencial ajuda. Pronto, o imóvel em condições razoáveis de ser utilizado. Isso, faltando um dia para a inauguração. Enquanto isso, compras, compras e mais compras, aliadas as feitas na semana anterior, que consumiram muito tempo, paciência e os últimos recursos disponíveis. E compra prato, e compra garfo, e compra forno e compra microondas e compra tudo,tudo que se possa imaginar,Então, agora tá tudo certo. Mentira. O banheiro insistia em exalar um cheiro horrível, resistindo a todas as investidas da LÚCIA, cozinheira de mão cheia, e que brigava com o cheiro, utilizando-se de todas as artimanhas adquiridas em seus empregos anteriores. E nada do cheiro ir embora. Melhorou, mas não parou. Isso só foi conseguido alguns dias após, com uma brilhante solução encontrada por meu parceiro CARLINHOS, esse sim homem de mil e um utilidades e que deu aulas de hidraulica, elétrica e etc, etc.etc... Acabamos com o cheiro, tampando uma antiga fossa ( desativada) que estava com os respiros abertos. Genial, e com o auxilio de duas garrafas pets vazias, Gênios nós, heim! Oba, o músico chegou. A festa vai começar. Cozinha abastecida, cervejas geladas, bebidas quentes de boa qualidade. Meus filhos, até então de bom humor comigo -- situação diferente de hoje - -- afinal nem tudo é festa,mandando ver na cozinha, e na copa, e tudo para dar certo. O trio Lúcia, autodidata na arte culinária e TIAGO E GUILHERME profissionais na Chefia de Cozinha, prometia. Os aperitivos prontos, os drinques a espera de serem montados. Enfim, chegou a hora. Opa, a torneira da pia do bar quebrou,. Corre, arruma uma, troca, e vamos simbora. De repente, a pia da cozinha entopiu. É sério, passamos a noite inteira lavando louça na pia externa e retirando excesso de água, com panelas e coisas assim. Situação já regularizada. O coquetel que era pra ser as nove da noite, foi solenemente ignorado por muitos ( graças a Deus), que literalmente invadiram o recinto antes do horário. E tome cerveja, e tome caipira, e tome comida. Ainda bem que a gente tinha se previnido com algumas comidinhas interessantes, se não a vaca tinha ido pro brejo, com terneiro e tudo. A música embalou, a conversa também, e atravessamos até as quatro da manhã. Resistimos a primeira investida. Garçons apressados, cerveja que demorava pra chegar, mais gente do que lugares, nada disso impediu o sucesso.E o coquetel? e os drinques e os finger-food ( acho que é assim. " Comer com os dedos, comer com a mão), acabou se dissipando no decorrer da festa. Lá por umas horas, era picanha fatiada, misturada com torrada e creme de leite e carne de siri, sem que o povo reclamasse disso. E as bebidas que comporiam os drinques? Gim,licores, e espumantes? Certamente serão consumidas em alguma promoção especial.E NO DIA SEGUINTE: Tudo de novo. E mais coisas que imaginanos ter comprar e não compramos. E mais coisas compradas em dobro.Falta uma coisa, sobra outra. Algumas reclamações, como natural, alguns amigos incomodando, como é natural. Algumas pessoas, reclamando do preço, como é natural. E muitas delas elogiando a comida, felizmente. Entre mortos e feridos salvaram-se todos.E a briga continua. Diariamente, compras e mais compras, e nada de sobrar dinheiro. E sempre falta alguma coisa. Pessoal pra trabalhar nem se fala. Afinal, estamos no litoral, e pessoal quer mais é curtir a praia e a vida boa,inclusive aqueles que precisam trabalhar. Admiro a tranquilidade e maneira como enfrentam a dificuldade financeira. " Primeiro, vamo toma uma gelada", "depois a gente dá um jeito de arruma um troco". Filosofia interessante! ( às vezes me dá uma vontade de adotá-la).E a rotina continua. Todo dia quebra alguma coisa. O vidro da janela. UI, um metro por sessenta centimetros. Já imagina o preço. Dois três copos, algumas garrafas, sempre acabam no lixo. E a grana nada de aparecer. Mas, enfim, conheci nesse pouco tempo muito mais pessoas interessantes do que nos trinta estressantes anos como Delegado. Então, hoje, dia 02 de setembro, as paredes estão pintadas, a geladeira está cheia, a despensa também. Comidas interessantes e por incrível que possa parecer, tem até comidas de praia, diferente dos botecos que gostam de servir os famigerados X. Os banheiros cheirosos, as mesas decoradas com uma espécie de papel machê envernizado ( me custaram a maciez das mãos, uns cortes nos dedos, e muita absorção de thinner e verniz - mas ficaram legais). O sol brilha, o feriado está chegando, junto com a esperança de acabar os estoques e pagar as contas.Junto com a esperança também de que os fabricantes de cerveja e cigarro, dêem uma forcinha da combalida situação financeira. Mas, o mais importante é que o Velho marinheirO - Rua Plinio Tourinho, 63 - Praia de Leste/Pr, está pronto a levá-los pela melhor rota da alegria e diversão, mesmo que o sol resolva ir embora, afinal o Velho marinheirO durante o nevoeiro leva o BAR co devagar.
OBS; VOU PENSAR MUITO MAIS QUANDO SIMPLESMENTE GRITAR: Ô FULANO MANDA AÍ UMA GELADA. Tem muita coisa atrás disso.

2 comentários:

Ju Jardim disse...

Tenho certeza q tudo vai dar certo pro "Velho Marinheiro"...aliás esse nome ficou demaais!!! Coisas de Tiago neh!!!!

Lella disse...

É bar é assim mesmo, essa correria toda quase todos os dias.
Mas lá começou bem e vai continuar assim, ficou um lugar muuuito legal, bem decorado, aconchegante, diferente dos outros bares que tem pela região que acho eu que é o que mais importa para atrair a clientela.

Vai na fé que vai dar tudo certo Guara.

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Beijos