Desde que me conheço por gente, e olha que já faz tempo, sempre ouvi dizer que o dia da mentira era primeiro de abril. Lembro-me das mentiras pueris que inventamos, dos sustos que dávamos nos outros, e das pegadinhas, sempre seguidas do famoso " Primeiro de Abril". E o tempo passou, mas a tradição continuou. Sempre nessa data, brincadeirinhas agora um tanto mais adulta, correm solto. A despeito da gravidade das mentiras, a brincadeira sempre acaba bem,prevalecendo o espiríto esportivo. POR OUTRO LADO. Comemora-se hoje o dia do advogado, dia da Justiça, dia do Magistrado. Enfim, essas coisas todas que deveriam ser sérias e não são. Com raríssimas exceções, os advogados, a Justiça e os Magistrados, estão cada vez mais crescendo na descrença do povo. E razões existem de sobra. Vamos por parte. Todos os dias, no jornal, na televisão, no rádio, onde quer que sua excelência o advogado bota a carinha, lá vem aquele festival de mentiras. Parece que os cursos de ciências sociais ensinam arte dramática, ou o que é pior, comédia.Quando não fazem aquela cara de sério que até as criancinhas do primário sabem que é mentira, tentando justificar o injustificável, acabam façando palhaçada. Não consigo entender. A impressão que fica é que os advogados - indispensáveis a administração da Justiça e importantes no contexto judiciário, tem de mentir e inventar estórias, ao invés de defender tecnicamente e dentro dos limites legais, seus clientes. Pessoalmente presencei, e participei de situações, enquanto delegado de polícia, tentativas indecentes de advogados, de criar manobras inverossímeis, com a alegação,para eles, insuspeita de que " isso ajuda lá na frente", referindo-se a subsequente fase processual. Sabe, criar situações quase que malucas, para na fase processual criar dúvidas, que passariam a existir somente por conta de uma antecedente estória inventada. Não me parece que seja este o objetivo do acompanhamento advocatício. Isso só para falar da área criminal. Todavia, o procedimento parece ser norma em todas as áreas. A redução da importância dos depoimentos de testemunhas, por exemplo, deve se dar muito por conta dessas manobras, pouco éticas, que incluem - preferencialmente - a preparação das testemunhas para mentirem.Outro aniversariante do dia - o magistrado - pouco preocupado com essa e outras situações que sabe, ou deveria saber, faz de conta que está tudo certo,e julga de acordo com o famoso brocardo:_ O que não está nos autos não está no mundo -. Pois é, as vezes o que está nos autos, não está no mundo, isto é, não aconteceu realmente, mas é obra e graça da imaginação e criação dos ilustres advogados. Mas, aí vem Segundo Grau de Jurisdição, e o STJ e o STF. E os que tem melhores condições financeiras, se livram leves e soltos, são presos em locais diversos do que deveriam, mesmo cometendo crimes graves, sem nada que justificasse tais medidas, enquanto os outros.... Expliquem-me uma coisa. Será que existem apenas algumas dezenas de advogados competentes no Brasil. E os outros são todos incompetentes. Essas dezenas, não obteriam mais êxito, por serem componentes de famílias ilustres que dominam o judiciário há anos? Ou por que fazem parte de escritórios montados, com ex-ministros, ex-procuradores federais,etc.etc.etc... ? Conheço alguns advogados competentes e honestos, que nem sempre obtém os mesmos resultados, que os "famosos", mesmo apresentando um trabalho mais consistente. Seria apenas coincidência? Ou seria por que os famosos, frequentam os mesmos lugares, os mesmos jantares, e as mesmas amizades políticas, distante dos meros mortais. Decisões completamente antagônicas, para questões absolutamente idênticas. Assessores sempre pródigos e descobrir um " detalhe" que torna diferente uma situação da outra, e rapidamente dar uma aparência de normalidade.E isso em todas as áreas. Surgem Corregedorias e mais Corregedorias, aparentemente ocupadas por pessoas dissociadas da realidade. Pois sempre que uma situação fática e grave é denunciada, fazem de conta que não entenderam, e buscam sempre o lado legítimo para justificar qualquer atitude, mesmo que esse lado não seja " muito legítimo". E buscar a verdade, nem de mentirinha .E assim vai, e nessa soma de interesses e desinteresses, caminha o ente Justiça. Pena que ele seja tão diferente do direito. Talvez uma dia, sob uma ótica mais moderna e eficiente, se abandonem esses conceitos tão distintos e realmente o Judiciário trabalhe para fornecer uma prestação jurisdicional mais verdadeira. Parabéns bons advogados e bons magistrados, exceções que embalam a esperança de que um dia a coisa mude, e que o dia primeiro de abril continue servindo apenas para as brincadeiras inocentes e sem consequências, muito diferente das brincadeiras engendradas pelas maus advogados e pelos magistrados omissos.
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Um comentário:
bah, esse mundo do direito é muito difícil de lidar, pouca gente boa, muita gente safada... por isso desisti desse curso! hahaha
tava sumida mas voltei Guara =D
beeeijos e boa sorte com o bar, vai ser um sucesso!
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