Depois de quase trinta anos lidando com toda a espécie de problemas, fui convidado a abrir um bar, o qual carinhosamente chamo de Velho Marinheiro, sugestão dada pelo meu filho, que recebi com orgulho, pois segundo ele, o nome é a minha cara. Diz ele que, sou um velho marinheiro a lutar contra as tempestades do dia-a-dia, procurando levar o barco da vida à um porto seguro. Na verdade, homenagem a parte, foi mais ou menos isso que aconteceu durante quase a vida toda. Aliás, na minha vida e na vida de outros tantos “ marinheiros” que teimam em não deixar se abater pelas tempestades.
Pensando mais profundamente na questão – não deixar o barco afundar – comecei a perceber as dificuldades que enfrentam aqueles que trabalham na área do comércio seja ela qual for. A começar por mim. Neste primeiro mês, as dificuldades foram tantas e tamanhas. A falta, de dinheiro, a sobra de problemas, sem falar da torcida contra, louca pra gente quebrar a cara. Isso, somente não afundou o nosso naviozinho porque os “marinheiros bravamente seguraram a barra. Na cozinha, minha amiga Lúcia, fazendo verdadeiras mágicas, inventando receitas, às vezes com material escasso, e nem sempre com os ingredientes suficientes. E o que é melhor, o resultado, normalmente fica mais interessante do que o seguimento daquelas receitas padrão. No meio do caminho, minha sócia resolveu que não queria mais brincar. Respeito à opinião. Mas, não posso dizer que não me causou problemas, relacionados principalmente a minha falta de conhecimento específico, somente superado pela intensa transpiração, muito maior do que a inspiração. Inventei drinques, alguns bons, outros ruins. Tentei e testei receitas. Tenho muito a aprender, e olhe que eu me achava um bom cozinheiro. Mas, como tudo tem sua parte boa, surgiram dois meninos – Gregori e Kleber -- com a idade dos meus filhos e que nunca trabalharam como garçons, mas que estão também se superando. Fazem de tudo um pouco, ganhando pouco - por enquanto -, pois pelo jeitão a coisa tá tomando o rumo certo. Conseguimos passar do primeiro mês. Nem lucro, nem prejuízo. Só aprendizado e muitas reflexões. A respeito do meu “ barquinho “ e dos “barquinhos” dos outros. E aí, em conversas com outros comerciantes, comecei a compreender melhor como funciona a coisa.As queixas relacionadas a falta de apoio do poder público predominam. Principalmente pelo fato de não existir uma política pública de turismo, o que faz com que os comerciantes tenham de ser verdadeiros mágicos para sobreviverem durante o inverno. Não pode fazer isso, não pode fazer aquilo. Precisa ter isso e isso para poder funcionar. E assim passa o ano, com as contas se acumulando. Quando chega a temporada, vem a concorrência desleal daqueles ditos comerciantes que se estabelecem provisoriamente, e na maioria das vezes não recolhem qualquer imposto, ou se submetem a qualquer exigência legal. Sequer pagam os aluguéis aos senhorios, os quais provam um pouco do seu próprio veneno, quando preferem fazer locações de temporada, a preços superfaturados, ao invés de estabelecer parcerias com os moradores locais. E o poder público, tão exigente com os comerciantes de verdade, sequer se preocupa com os pára-quedistas, que ao final da temporada desaparecem misteriosamente. Por muitos anos vi essa situação, sem imaginar que pudesse ser tal dolorosa. A política pública regional ausente em quase todos os sentidos, só é menos egoísta do que a política estadual. Esta sim proíbe quase tudo em matéria de aproveitamento do potencial turístico. Apenas no litoral paranaense não se pode fazer nada. Enquanto no restante do litoral brasileiro, os comerciantes se fartam de atender os alegres e abonados turistas, o litoral paranaense vive às mínguas, preocupado com os ninhos dos pica-paus do bico amarelo e da restinga, mesmo que isso custe à ruína de muitos comerciantes. Mesmo com um projeto bem elaborado para o aproveitamento da faixa litorânea, nada acontece. Numa simplistica pretensão, imaginei por ser pós graduado em Direito e Gestão Ambiental, que poderia apresentar projetos de aproveitamento da faixa litorânea. Falei, falei, falei e acabei falando para o deserto. Mesmo aqueles que imaginavam, por suas condições profissionais, pudessem demonstrar interesse, fizeram “ouvidos de mercador”. Não ouviram ou fingiram que não ouviram. E a coisa continua ruim, e o que é pior sem qualquer expectativa a curto ou em médio prazo. Além disso, a classe que move a economia – o setor do comércio --- parece desanimada e sem ter a quem recorrer. E mais um ano está quase chegando ao fim. A temporada vem por aí. Do jeito que tá, só se pode esperar que não chova, que a concorrência não seja tão desleal, e que o poder público, ´pelo menos uma vez olhe para seus moradores, e de um aperto nos pára-quedistas, estes sim, que só vem buscar uns trocados, e acabar com a restinga, ninho dos pica-paus e com a paciência da gente. Enquanto nós, não podemos nem chegar perto a areia pra diminuir o prejuízo. Vamos lá, meus novos pares, eu topo tocar o barco por novas rotas. E vocês?
Pensando mais profundamente na questão – não deixar o barco afundar – comecei a perceber as dificuldades que enfrentam aqueles que trabalham na área do comércio seja ela qual for. A começar por mim. Neste primeiro mês, as dificuldades foram tantas e tamanhas. A falta, de dinheiro, a sobra de problemas, sem falar da torcida contra, louca pra gente quebrar a cara. Isso, somente não afundou o nosso naviozinho porque os “marinheiros bravamente seguraram a barra. Na cozinha, minha amiga Lúcia, fazendo verdadeiras mágicas, inventando receitas, às vezes com material escasso, e nem sempre com os ingredientes suficientes. E o que é melhor, o resultado, normalmente fica mais interessante do que o seguimento daquelas receitas padrão. No meio do caminho, minha sócia resolveu que não queria mais brincar. Respeito à opinião. Mas, não posso dizer que não me causou problemas, relacionados principalmente a minha falta de conhecimento específico, somente superado pela intensa transpiração, muito maior do que a inspiração. Inventei drinques, alguns bons, outros ruins. Tentei e testei receitas. Tenho muito a aprender, e olhe que eu me achava um bom cozinheiro. Mas, como tudo tem sua parte boa, surgiram dois meninos – Gregori e Kleber -- com a idade dos meus filhos e que nunca trabalharam como garçons, mas que estão também se superando. Fazem de tudo um pouco, ganhando pouco - por enquanto -, pois pelo jeitão a coisa tá tomando o rumo certo. Conseguimos passar do primeiro mês. Nem lucro, nem prejuízo. Só aprendizado e muitas reflexões. A respeito do meu “ barquinho “ e dos “barquinhos” dos outros. E aí, em conversas com outros comerciantes, comecei a compreender melhor como funciona a coisa.As queixas relacionadas a falta de apoio do poder público predominam. Principalmente pelo fato de não existir uma política pública de turismo, o que faz com que os comerciantes tenham de ser verdadeiros mágicos para sobreviverem durante o inverno. Não pode fazer isso, não pode fazer aquilo. Precisa ter isso e isso para poder funcionar. E assim passa o ano, com as contas se acumulando. Quando chega a temporada, vem a concorrência desleal daqueles ditos comerciantes que se estabelecem provisoriamente, e na maioria das vezes não recolhem qualquer imposto, ou se submetem a qualquer exigência legal. Sequer pagam os aluguéis aos senhorios, os quais provam um pouco do seu próprio veneno, quando preferem fazer locações de temporada, a preços superfaturados, ao invés de estabelecer parcerias com os moradores locais. E o poder público, tão exigente com os comerciantes de verdade, sequer se preocupa com os pára-quedistas, que ao final da temporada desaparecem misteriosamente. Por muitos anos vi essa situação, sem imaginar que pudesse ser tal dolorosa. A política pública regional ausente em quase todos os sentidos, só é menos egoísta do que a política estadual. Esta sim proíbe quase tudo em matéria de aproveitamento do potencial turístico. Apenas no litoral paranaense não se pode fazer nada. Enquanto no restante do litoral brasileiro, os comerciantes se fartam de atender os alegres e abonados turistas, o litoral paranaense vive às mínguas, preocupado com os ninhos dos pica-paus do bico amarelo e da restinga, mesmo que isso custe à ruína de muitos comerciantes. Mesmo com um projeto bem elaborado para o aproveitamento da faixa litorânea, nada acontece. Numa simplistica pretensão, imaginei por ser pós graduado em Direito e Gestão Ambiental, que poderia apresentar projetos de aproveitamento da faixa litorânea. Falei, falei, falei e acabei falando para o deserto. Mesmo aqueles que imaginavam, por suas condições profissionais, pudessem demonstrar interesse, fizeram “ouvidos de mercador”. Não ouviram ou fingiram que não ouviram. E a coisa continua ruim, e o que é pior sem qualquer expectativa a curto ou em médio prazo. Além disso, a classe que move a economia – o setor do comércio --- parece desanimada e sem ter a quem recorrer. E mais um ano está quase chegando ao fim. A temporada vem por aí. Do jeito que tá, só se pode esperar que não chova, que a concorrência não seja tão desleal, e que o poder público, ´pelo menos uma vez olhe para seus moradores, e de um aperto nos pára-quedistas, estes sim, que só vem buscar uns trocados, e acabar com a restinga, ninho dos pica-paus e com a paciência da gente. Enquanto nós, não podemos nem chegar perto a areia pra diminuir o prejuízo. Vamos lá, meus novos pares, eu topo tocar o barco por novas rotas. E vocês?

Um comentário:
Vamo que vamo que o show não pode parar Guara! Se não teve prejuízo então tá tudo certo, tudo muito bem pro começo. Chegando a temporada quero ver o bar deslanchar, e vai com certeza!
Beijos e quando der estamos aí pra ajudar =D
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