sábado, 6 de dezembro de 2008

SEI LÁ, NÃO SEI.

Corri o dia todo, como milhares de pessoas que vão e vem, sem saber exatamente para onde ir. Claro que não cheguei a lugar nenhum, principalmente pelo fato de não saber o que procurava Isso parece ser a rotina de milhões de brasileiros. Quando dei por mim, o dia havia acabado. Cansado, exausto, por ter de me desviar dos problemas, dos motoristas mal educados, dos pedintes, dos vendedores de tudo, dos entregadores de panfletos. Aliás, esses entregadores de panfletos qualquer dia vão matar alguém do coração. Impressionante como surgem do nada, e quando você percebe lá está um bem na sua frente com algum papel nas mãos, num gesto que mais parece um ataque, principalmente quando se está com a cabeça longe, pensando sabe-se lá no que. E mais, com a febre dos empréstimos consignados para aposentados, coitados de nós de cabelos brancos e cútis já não tão lisa, somos assediados a cada esquina; “oi não quer um dinheirinho hoje?" Claro que todo o mundo quer um dinheirinho, dinheirão de preferência. O duro é o pagar depois. Da maneira e com a gentileza que nos é feita a oferta, geralmente por belas jovens, despertando idéias adormecidas de como bem se poderia utilizar a verba, a coisa é tentadora. E os ônibus. Curitiba, a bem da verdade, ainda oferece boas condições de transporte, notadamente nos bi-articulados. Só não sei exatamente porque os passageiros permanecem teimosamente junto à porta 3, utilizada preferencialmente para os embarques, abarrotados e espremidos, ao invés de se postarem nas outras portas, destinadas ao desembarque. Também é outro mistério, o fato de, invariavelmente, por ocasião dos embarques entrarem antes dos passageiros que estão descendo pela mesma porta. Isso tudo, contrariamente a locução oficial que, de dois em dois minutos, diz para ser feito exatamente o contrário. Quando finalmente, desci de um desses, dirigindo-me ao merecido descanso, me dei conta de tudo que havia feito durante o dia. Aí sim, COM O SACO CHEIO, não deu outra. Vou tomar uma gelada e fazer o balanço. E assim foi. Depois de umas e outras, retornei ao passado, mais exatamente há quatro anos, quando "convidado" a me aposentar, por não concordar com as idéias pouco ortodoxas do nosso governador, Roberto Requião, fui buscar minha inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. Só que antes, como bom brasileiro, alardeei aos quatro ventos que iria me inscrever, para livre do jugo daquela criatura, poder continuar trabalhando com independência, e contar umas estórias que vivenciei enquanto delegado de Polícia. Pronto burro. Começou a brincadeira.
Enquanto mais de trinta colegas com situação idêntica a minha receberam suas carteiras da Ordem dos Advogados, sem a necessidade de exame, por terem se formado sob a égide da legislação anterior, o meu pedido foi indeferido. A partir daí, numa sucessão de equívocos (para ser elegante), tanto no âmbito administrativo, quanto na esfera judicial. Venho "perguntando x e recebendo resposta de y". Juíza se engana com o número da lei e artigo e indefere o pedido. A OAB se recusa a entregar os paradigmas de processos idênticos ao meu, e mesmo depois de demonstrado a identidade entre a situação fática recusa-se a reconsiderar. O mesmo relator que convalidou os processos paradigmas, de repente votou contra seu parecer anterior. Tudo isso sob os olhares complacentes de seus pares desinteressados pela discussão. No Conselho Federal da OAB, o conselheiro que pediu vistas do processo, levou o mesmo para casa, e devolveu depois de um ano, com um despacho daqueles, bem sem vergonha. E no judiciário, na segunda estância,TRF4, a mesma estória de sempre. Um dia votam a favor, no outro dia contra, em situação idêntica. Até parece que depende do sonho e da companhia de leito. No STJ, a mesma coisa:
um dia, o Sr. Dr. Digníssimo Ministro voto de um jeito, no outro muda o entendimento. Então, lembrei-me porque corri tanto no dia de hoje. Fui, novamente, impetrar mais um recurso, demonstrando o que está mais do que demonstrado, Já nem sei direito o nome desse. Mas é um outro ótimo e fundamentado recurso. Pena, que a resposta não seja tão célere e nem tão bem elaborada. Aí, pra ficar mais COM O SACO CHEIO, lembrei-me que, a grande maioria dos que ora me julgam, não se submeteram ao exame que agora consideram como "selecionador" dos bacharéis pretendentes a inscrição, isso por que se formaram sob a égide da legislação anterior como eu. Dizem os ilustrados julgadores que o exame admissional seleciona (teoricamente os melhores). Quem sabe,seja essa a razão da falta de excelência de seus julgamentos, e a teimosa defesa de um corporativismo inaceitável, na medida em que praticam uma espúria reserva de mercado, ao insistirem num exame declaradamente ilegal, com um componente financeiro agregado, pelo fato de que, a maioria esmagadora dos cursos preparatórios ao exame da OAB pertence a pessoas que tem ligações com os dirigentes da instituição. CALMA. Aos nervosos de plantão comunico serem verdadeiros os fatos narrados, e todos devidamente documentados. Diga-se de passagem, esse breve relato é apenas o começo de uma grande pesquisa em andamento, e que haverá de mostrar, uma vez mais como funcionam a maioria das instituições públicas no Brasil. E pensar que a a atual secretária da OAR/Pr, foi minha contemporânea de faculdade. Que lástima!

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