Quando a gente imagina que já viu de tudo nessa vida, eis que de repente se depara com ilustres promotoras da Justiça do Trabalho, se indispondo com o instituto mantido pelo HSBC que patrocina o coral de Natal, da Avenida Luis Xavier. Longe de concordar com a política do banco, mundialmente aplicada, temos que considerar algumas questões, antes de considerar que as crianças estariam sendo submetidas a trabalho infantil. Dentre outras alegações, jornada excessiva de "trabalho", má alimentação, exigências profissionais absurdas, longos trajetos entre o local de moradia e da apresentação, aliada ao fato de que o banco estaria capitalizando propaganda social, estão sendo citadas como motivos a impedir a apresentação dos infantes, pelo menos nos moldes atuais. Dentro do relativismo que domina as relações sociais, resta nos perguntar, se tais "sofrimentos" inflingidos às crianças, não seriam absolutamente menores do que a alegria que elas sentem, quando entre coisas, e principalmente, são tratadas como gente, diferentemente de todos os outros dias de suas vidas, vividas em Casas Lar. Se por um lado, o legalismo mostrado pelas promotoras parece estar um pouco desconforme com a realidade do dia-a-dia dessas crianças. a aflição demonstrada pelas crianças, diante da simples possibilidade do cancelamento do evento, demonstra bem como funciona a vida fora das paredes confortáveis dos gabinetes oficiais.Choro, preocupação e tristeza se abatendo sobre as crianças. E justamente esta circunstância é que causou o destempero de uma promotora que estava sendo entrevista ao vivo. Ao ser confrontada com uma criança chorando, por estar prestes a se privar de uma atividade que lhe dá prazer, esqueceu-se da pergunta que lhe foi formulada, dirigindo farpas àqueles que, no seu entender, estariam "pressionando" psciologicamente as crianças. " Vamos apurar mais esta questão" disse em tom alterada, o que repito, a fez esquecer do que lhe era perguntado. Demonstrou nitidamente o tom belicoso com que enfrenta a questão. É certo que o HSBC, não é nenhum modelo de ético ( institucionalmente falando), mas isso automaticamente não o transformá num monstro na questão do coral. A questão há de ser examinada com a devida imparcialidade, que não ficou demonstrada na explanação da promotora. Por piores que possam ser as "condições de trabalho" dos menores, imagino que sejam muito melhores do que as enfrentadas pelos menores abandonados, que trabalham em condições de imundície, passando fome pelas ruas, sem casas para morar ,sendo por conta disso abrigadas pelo tráfico e pelos marginais de toda ordem.\Já que se mostra tão legalista a ilustre promotora, seria interessante que contatasse suas colegas de profissão, nas áreas respectivas, e lhes contasse sobre todos os menores que andam por ai perdidos, sem ter nem um palco para se apresentarem. Em nenhum dia de suas vidas. Chega desta interpretação legalista hipócrita, e vamos realmente nos preocupar com os menores que aos milhares estão representando papéis degradantes no teatro da vida.
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2 comentários:
Vi e ouvi durante a programação do PR Tv de hoje, matéria de destaque que tratava sobre uma ação do Ministério Público do Trabalho em acabar com as apresentações do coral infantil do HSBC na Boca Maldita. Aqui vale dizer, essa atividade é desenvolvida há 21 anos e mantida por um Instituto daquele banco. Tal atividade, famosa em todo o mundo, é programação certa das atividades natalinas em nossa capital, inclusive com apoio dos órgãos oficiais, devido à seriedade e o alcance que atinge. Bem, voltemos ao litígio: Por um lado, as crianças e adolescentes que vivem em abrigos e orfanatos, rotulados como casa-lar. Do outro lado, ilustres desconhecidos, portadores do "carteiraço" do MPT ( se essa sigla existe, o final já me causa arrepios ), buscando as atenções ora dispensadas à "vingança da Nina contra a Carminha". Os argumentos apresentados pela representante do parquet, frios ao pé da letra, coisa de quem não tem experiência ou o bom senso para resolver questões, apenas o poder de criar causos ( como dizia minha vovozinha ), parecem ser facilmente superados se forem verdadeiros. Até onde me recordo, as apresentações não são diárias, são alternadas em alguns dias da semana e apenas em um período que se aproximam das festas natalinas. Ao serem indagadas sobre a possibilidade de verem o coral deixar de existir, as crianças e adolescentes choraram copiosamente. Inevitavelmente, as lágrimas também povoaram meus olhos. Por que? Porque esse malditos promotores e procuradores, desconhecidos e infelizes, incapazes de proporcionar algo de melhor para aquelas crianças entram numa campanha para eliminar talvez a única fonte de real felicidade que aquelas crianças possuem, de se sentirem importantes, vistas pela sociedade. As crianças não pareceram importar-se com a "ardua jornada" de trabalho a que são submetidas, ao trajeto extenso que precisam vencer para saírem da Casa lar e chegarem ao coração da capital dos paranaenses. Como se morássemos numa megalópole. Argumentos ridículos, pequenos, coisa de gente mal educada, nascida em berço de ouro e que vive numa redoma. Os órgãos públicos de atendimento às crianças e adolescentes devem se posicionar e fiscalizarem se há ilegalidades ou não, apontá-las, obrigar os responsáveis a corrigi-las. O desequilíbrio da entrevistada foi tão grande que conseguiu esquecer da pergunta e procurou atacar, coisa de quem não tem argumentos, não tem razão. Quem perde? Todos, principalmente as crianças. A promotora poderia ter aproveitado os seus 5 minutos de atenção global e ter chamado à sociedade para atentar aos menores abandonados, aos idosos descartados como material obsoleto, aos maus tratos dos animais etc. Mas, isso não daria audiência, não é mesmo? Pensem numa forma de explicar para as crianças do coral que além de esquecidas, agora elas são discriminadas pelo órgão público que deveria estar fiscalizando os poderosos que exploram seus trabalhadores, reduzindo-os à condição análoga de escravos.
Vi e ouvi durante a programação do PR Tv de hoje, matéria de destaque que tratava sobre uma ação do Ministério Público do Trabalho em acabar com as apresentações do coral infantil do HSBC na Boca Maldita. Aqui vale dizer, essa atividade é desenvolvida há 21 anos e mantida por um Instituto daquele banco. Tal atividade, famosa em todo o mundo, é programação certa das atividades natalinas em nossa capital, inclusive com apoio dos órgãos oficiais, devido à seriedade e o alcance que atinge. Bem, voltemos ao litígio: Por um lado, as crianças e adolescentes que vivem em abrigos e orfanatos, rotulados como casa-lar. Do outro lado, ilustres desconhecidos, portadores do "carteiraço" do MPT ( se essa sigla existe, o final já me causa arrepios ), buscando as atenções ora dispensadas à "vingança da Nina contra a Carminha". Os argumentos apresentados pela representante do parquet, frios ao pé da letra, coisa de quem não tem experiência ou o bom senso para resolver questões, apenas o poder de criar causos ( como dizia minha vovozinha ), parecem ser facilmente superados se forem verdadeiros. Até onde me recordo, as apresentações não são diárias, são alternadas em alguns dias da semana e apenas em um período que se aproximam das festas natalinas. Ao serem indagadas sobre a possibilidade de verem o coral deixar de existir, as crianças e adolescentes choraram copiosamente. Inevitavelmente, as lágrimas também povoaram meus olhos. Por que? Porque esse malditos promotores e procuradores, desconhecidos e infelizes, incapazes de proporcionar algo de melhor para aquelas crianças entram numa campanha para eliminar talvez a única fonte de real felicidade que aquelas crianças possuem, de se sentirem importantes, vistas pela sociedade. As crianças não pareceram importar-se com a "ardua jornada" de trabalho a que são submetidas, ao trajeto extenso que precisam vencer para saírem da Casa lar e chegarem ao coração da capital dos paranaenses. Como se morássemos numa megalópole. Argumentos ridículos, pequenos, coisa de gente mal educada, nascida em berço de ouro e que vive numa redoma. Os órgãos públicos de atendimento às crianças e adolescentes devem se posicionar e fiscalizarem se há ilegalidades ou não, apontá-las, obrigar os responsáveis a corrigi-las. O desequilíbrio da entrevistada foi tão grande que conseguiu esquecer da pergunta e procurou atacar, coisa de quem não tem argumentos, não tem razão. Quem perde? Todos, principalmente as crianças. A promotora poderia ter aproveitado os seus 5 minutos de atenção global e ter chamado à sociedade para atentar aos menores abandonados, aos idosos descartados como material obsoleto, aos maus tratos dos animais etc. Mas, isso não daria audiência, não é mesmo? Pensem numa forma de explicar para as crianças do coral que além de esquecidas, agora elas são discriminadas pelo órgão público que deveria estar fiscalizando os poderosos que exploram seus trabalhadores, reduzindo-os à condição análoga de escravos.
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