Poderia ser brincadeira, se não fosse trágico. O descaso com que as autoridades tratam o povo de Pontal do Paraná parece brincadeira. Brincadeira de filme de terror. Mais uma jovem, com 17 anos de idade foi morta,no Balneário de Santa Teresinha, em plena luz do dia. Somado a mais uns casos que ocorreram recentemente passam de cinco os crimes da mesma natureza. Já faz vários dias que o delegado Artur Zanon foi transferido para São José dos Pinhais, não se sabe a pedido dele, ou de outros que ele estava incomodando. Aqui um parênteses, por necessário. No ano de 2002, quando aqui trabalhava, de repente fui surpreendido por uma portaria de transferência lá pra PQP do Norte. Motivo, pedido político. Justificativa, eu era muito severo, e segundo aquele grupo político que até hoje anda por aí: " Só por que nós demos uns chequinhos ( assim mesmo) sem fundos, da Câmara Municipal ele quer indiciar a gente em inquérito". Imagine que mau que eu era. Voltando aos dias atuais, sem que nada tenha mudado, observamos um verdadeiro Deus nos Acuda. O tráfico de drogas sendo feito à luz do dia. Segundo a voz corrente, da qual não participo, todo mundo sabe quem são os traficantes. Se eu soubesse com certeza já os teria denunciado, e acredito que os policiais que aqui trabalham já os teriam prendido. Ocorre, que o escasso número de policiais é insuficiente para atender as ocorrências mais banais. Isso, no âmbito da Policia Militar. Na polícia civil, nem delegado temos. O de Matinhos acumula a função. Quer dizer, nem lá, nem cá.Furtos, roubos, estrupos, homicídios, ocorrem como aqui fosse uma cidade grande. Aqui, na verdade é uma grande cidade, com cabeças pequenas no comando. Não tenho qualquer pretensão política, nem quero que esta conversa seja levada para esse lado, mas a coisa extrapolou, fugiu do controle. As pessoas de bem estão presas em suas casas enquanto os marginais desfilam tranquilamente. Não se pode mais abrir a porta ou janelas das casas como antigamente. Lá estão de plantão os pedintes, que proliferam em todos os balneários. Não se trata de discriminar os mais pobres. Acontece que, jovens fortes, drogados ou sei lá o que, intimam as pessoas a lhe darem comida, bebida,roupas, dinheiro, como se tivéssemos obrigação de sustentar seus vícios. Aparecem do acaso, não tem emprego, casa e dinheiro, e insistem em veranear, como se nós moradores fossemos verdadeiros " barão" na linguagem deles, e como não precissámos trabalhar e muito para poder morar em paz. Ora, esses se misturam aos aqui residentes, e que por falta de uma política pública de inserção, também foram arrebanhados para o consumo e para o tráfico de drogas. Não se pode mais dormir sossegado. Quando não ficamos preocupados com drograditos propriamente ditos, somos perturbados sistematicamente pelos roncos e sons dos carros, em altíssimo volume e com músicas de gostos altamente duvidoso.Tudo isso, assistido placidamente por aqueles que deveriam tomar alguma providência. Não sei como ninguém morre atropelado, ou em consequência de colisão de veículos. Placas de sinalização não respeitadas. Veículos na contramão,em alta velocidade, estacionados irregularmente e tudo quanto se possa se imaginar são comuns. Motoristas irresponsáveis e bêbados são a tônica. Não tem policiamento suficiente para controlar isso. Esta é a realidade. O governo do Estado, conta história, teoriza, teoriza,o Secretário de Segurança, parece mais preocupado em manter alinhado seu vistoso topete, do que tratar desses assuntos mundanos, que parecem estarem longe de sua realidade. A falta de representatividade político do poder municipal, colabora para o abandono.Nada funciona, a não ser a instituição criminosa, que se mostra muito mais organizada do que o poder oficial. Tudo isso,poderia ser mais simples, se houvesse o envolvimento de todos os níveis de governo. Mas, cada um chuta pro um lado. E o povo que se dane. Será que eles conseguem dimensionar a dor dos pais desta jovem morta brutalmente aos 17 anos de idade. Ontem, passei nas proximidades do velório dela, e não tive coragem de entrar. Pessoas que lá estiveram, relataram que jamais viram um pai como uma dor tão grande. Ele, justamente ele, que trabalha com Segurança Pública e educador, e que luta desigualmente com o regime aqui imposto. Linda, vestida de prenda, sua roupa de festa dos dias de vida, parecia estar dormindo, com exceção de um lenço a lhe cobrir o pescoço, símbolo da violência , que lhe tirou do convívio dos seus, e levou um pedaço de vida de todos aqueles que gostavam dela, parecia um anjo. Este anjo que certamente vai dançar nas plagas do Infinito, alegrando outras paragens. Seus pais e amigos, terão de aprender a conviver com a dor da perda, e da indignação, indignação que motivou uma passeata neste mesmo momento, em que escrevo este singelo desabafo. Que esta morte, com as demais ocorridas recentemente, desperte no coração dos homens que devem cuidar deste município, o verdadeiro sentido do dever cívico que tem com os moradores deste linda e promissoria região, e que este episódio lamentável seja o divisor de águas, e que nunca mais tenhamos de falar e tratar de assuntos tão lamentáveis e desgastantes. Vai em paz menina...
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3 comentários:
È Dr Guaraci enquanto tiver alguns que defendem bandido, fica dificil se fazer cumprir a lei nesse Pais bandido e marginal bom é morto ou na cadeia, as leis tem que ser bem mais severas e se fazerem cumprir agora o cara apronta e sabe que nao vai preso, ou se for é solto rapidamente por um advogadinho de porta de cadeia, tem que existir uma reforma urgente em termos de codigo penal no Brasil precisamos levar a segurança bem mais a sério para proteger as pessoas de bem.
Agora a pouco durante a passeata da paz um rapaz chamado Bruno foi alvejado com 12 tiros no Primavera, que coisa hein.
certamente o zanon tava fazendo um trabalho bom... e isso não gostou a quem não queria ver o povo crescer. ja viu o oportunismo nas ruas? usando o luto como propaganda... pqp
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