terça-feira, 22 de maio de 2012

O DONO DA CASA É O ULTIMO A SABER

Vi com preocupação a reportagem da Gazeta do Povo, sobre o fundo rotativo da Polícia Civil. Preocupação por conta da serieidade e poder de influência do jornal. Todavia, após leitura mais atenta, observei que as informações eram parciais ( apenas parte das informações foram verificadas) e parciais, pois pareciam querer induzir o leitor a uma conclusão, que absolutamente corresponde  a realidade. O que, por experiência própria, consegui deduzir é que houve, por desconhecimento dos autores da reportagem, uma interpretação equivocada dos fatos. Inegável o envio do numerário para as delegacias, assim como a sua utilização. Fato comprovado e auditado pelo que alguns maldosos chamam de Tribunal de Faz de Conta. Mas, este apelido certamente  nasceu por conta de outras verificações um tanto mais assim, acima do âmbito da Polícia Civil, lá pelos outros lados do Centro Cívico. O montante de recursos anunciado, habilmente trabalhado na hora de serem escritos, induz o leitor a imaginar que um dinheiro importante rolava por mês, nas delegacias, inclusive nas "fantasmas". Todos nós sabemos, e que aqueles que são responsáveis pela Segurança Pública, deveriam saber mais ainda, o estado de muitas delegacias pelo Paraná afora. Tirante, algumas delegacias de Curitiba, e algumas sedes de subdivisões, é simplesmente caótico, termo utilizado pelo atual secretário de Segurança, que lamentavelmente, só depois das denúncias lembrou-se disso. Prédios inadequados, viaturas sucateadas, falta de material de expediente, falta de comida para os presos ( quem é donos dessas crianças?). Falando assim, parece ser simples. Pega o rico dinheirinho do fundo rotativo e compra isso, e compra aquilo. Alguns maledicentes hão de falar: existe um departamento de infra estrutura, um departamento que cuida do material de expediente, outro que cuida das viaturas, e dinheiro para a comida. Parem com isso. Todos sabemos que funcionam daquele jeito. E não por culpa dos comandantes. O sistema é completamente ultrapassado. Alguns colegas desinteressados, outros chateados por terem sido preteridos em promoções, sem qualquer mótivo, e abandonados à própria sorte, fazem a equação perfeita para a coisa andar muito, mais muito devagar. Atrevo-me a dizer, que a instituição somente sobrevive pelo esforço de seus abnegados. E assim, a coisa bem caminhando há muito tempo, sem que ninguém que tenha de ver, veja. Entrevistado, um ex-secretário de segurança, disse que não tem nada a ver com isso, por conta de a gestão do fundo, ser de competência da Polícia Civil. Uma perguntinha simples, a Polícia Civil, está vinculada a qual secretaria, mesmo? Ah. entendi. Será que em oito anos, nunca, ninguém, nenhum jornal, ninguém, absolutamente ninguém sequer comentou com a  figura que a coisa não estava boa? Isso é a representação do abandono e do descaso. O " dono" da casa estava ausente, talvez mais preocupado em "valetear" seu chefe. Pode ser possível que alguma coisa tenha acontecido, como se gastar dinheiro de uma rúbrica em outra,o que é muito diferente de alguém ter se apropriado. Aliás  gastos assim, fazem parte da mágica que permite o emperrado e ultrapassado sistema  funcionar, e que colocam os autorizados dos pagamentos em verdadeiro dilema.:  fazer a máquina caminhar, com esforço e risco pessoal, e estar sujeito a enfrentar situações como essas, ou simplesmente parar o barco em meio a tempestade, correndo igualmente o risco de ser taxado de incompetente e desidioso. Se existiram irregularidades, que se puna. O que não se pode é jogar todo mundo na mesma vala. pois como eu a esmagadora maioria vive honestamente de seus proventos, os quais aliás já deveriam ter sido reajustados há muito,muito, muito tempo.

Um comentário:

Cristiano Augusto Quintas dos Santos disse...

Porra, fantástico o artigo. Te estendo a mão, companheiro!!! Parabéns pelas colocações