quinta-feira, 29 de março de 2012

PARABÉNS CURITIBA. ( PRESENTE DE GREGO )

O dia é de festa. Cumprimentar Curitiba pelos seus 319 anos. Lembro-me bem, quando há muito tempo atrás desembarquei,em companhia de minha mãe, na Rodoviária "Velha", atual terminal Guadalupe. Vindo do interior, à busca de uma vida melhor, isso no dia 08 de Dezembro, dia também festivo em Curitiba.Tinha treze para quatorze anos e uma esperança muita grande em conseguir " ajeitar" a vida, pois ela tinha sido dura até então nos rincões dos Campos Gerais. Minha mãe, mulher de fibra,bonita com seus brilhantes olhos azuis, carregava-me pela mãosequer imaginando para onde iríamos exatamente. E Curitiba nos recebeu, como a tantos vindos de tantos lugares. E eu cresci, junto com meus irmãos que vieram "para a Capital" mais tarde. A briga foi intensa para chegar até aqui.Isso foi tão súblime ( a luta e o sacrifício da minha mãe) que espaço tão singelo não comportaria a narrativa. Para isso, preciso me inspirar ( e muito) para um dia tentar reproduzir. Mas, enfim, eu e meus irmãos continuamos a saga, e felizmente nos demos bem. O bairro do Uberaba parecia tão distante do cento e de tudo, e no entanto era um lugar tranquilo e bonito pra gente morar. Depois o Guabirotuba, hoje com seus morros adornados por belas residências, mas ainda discriminado por que era "depois da BR". A Avenida das Torres, sem asfalto e com as ditas cujas no meio era um caminho quase que instraponível quando chovia. E as famosas turmas de cima e de baixo da Avenida? o bairro do Capanema, hoje Jardim Botânico, era sinônimo de terror para a rapaziada de outros bairros próximos. Mas, juro todo mundo era gente boa. Sabe como é a gente aproveitava a fama dos moradores próximos a Vila Pinto e do campo do Colorado e também se achava. Muito mais conversa do que ação. Imagine, se conseguia atravessar Curitiba quase que a pé. Do bairro do Capanema, até os saraus do Agronomia era um pulo. Todo mundo andando, e sem problemas na ida e volta. E o tempo passando e a vida mudando. De repente, escrivão de polícia, na Delegacia de Furtos e Roubos, na av. Iguaçú, ainda guardando aqueles conceitos do interior, e convivendo com policiais mais antigos, numa delegacia chamada carinhosamene de "QUILO' ( diziam os antigos que era uma Delegacia da Pesada). Curso de Direito na Faculdade de Direito de Curitiba, na Travessa Alencar Guimarães. Paradoxalmente aprendendo Direito e trabalhando num local, que não respeitava assim assim o dito cujo. Via quarenta, cinquenta presos ( sem mandado de prisão ou flagrante) à disposição da autoridade policial, ou melhor dos chefes de equipe,que tinham um poder nunca entendido por mim. Por lado a criminalidade,independente do número de moradores era muito menor. A Polícia era respeitada como instituição. A coisa era séria, e a bandidagem sabia disso. Então: " mão na cabeça, era mão na cabeça" sem discussão. Fui aprendendo e vivendo Curitiba. Conheci essa cidade como poucos, em todos os seus cantos, bons e maus. Conheci os saraus, os bailinhos do Operário entre outros, a ZBM que ainda era no Bairro do Parolin. E sobrevivi bravamente, comendo pão com bolinho e batida de maracujá, na lanchonete do China, bem na esquina das Ruas Emiliano Perneta e Alencar Guimarães,em frente a Faculdade, onde entre outras coisas acontecia a concentração para as provas. Desde lá já existia a famosa divisão de turmas. Os mais aquinhoados iam tomar chopp nos barzinhos da XV. Os outros batida de maracujá no china. Mas, todos conviviam pacificamente, e finalmente a formatura. Primeiro concurso, Delegado de Polícia. Pimba, lá vou eu. Começou uma nova era. Hoje muitos colegas, são conhecidos e próceres do Direito Paranaense e quiçá Brasileiro. Mas, que tomaram batida no China tomaram. E quantas teses hoje vitoriosas sairam dalí. Obrigado minha Curitiba, mãe quase tão boa quanto a minha de verdade, que a mim e a muitos acolheu, ainda que hoje seus filhos não lhe respeitem tanto. Sai pelo mundo em várias Delegacias e quase no final de carreira, vou para a DEDETRAN - Delegacia de Delitos de Trânsito, que antes era chamada erroneamente de Delegacia de Acidentes de Transito!?!?., na esperança de não ter que me defrontar com bandidos perigosos, etc e tal, afinal estava ficando "velhinho" demais para determinadas funções. E lá sim, vi bandidos perigosos. Malucos,irresponsáveis, bêbados, drogados, "armados" com seus possantes. E vi gente morrer, gente de todas as idades, moços, velhos, crianças, bebês,. Vi sonhos destroçados quais as latarias disformes dos veículos envolvidos nos eventos. E vi que nada se fazia de efetivo para mudar o panorama. Quando os envolvidos eram pessoas de representatividade na sociedade, o barulho era um pouco maior, mas logo abafado mais à frente.Os atalhos explorados pelos hábeis advogados ( inclusive alguns contemporâneos de faculdades) tratavam de minimizar os prejuízos dos autores. Quanto as vítimas, ora apenas mais uma vítima, um número na estatística nefasta.
A briga desigual tratou de nos arranjar desafetos de peso. Fogo inimigo, e fogo amigo.Poucos preocupados em mudar. Simplesmente: cumpra-se a lei. E gente morrendo, e o que é pior meios mortos, decepados, reduzidos a uma vida vegetativa, cada vez mais aumentando. E os carros batendo, e gente morrendo, e alguém lucrando. Sempre alguém lucrando. Que pena Mamãe Curitiba, que tão bem me acolheu. Hoje, no dia do seu aniversário, como um presente às avessas, li que nosso querido Superior Tribunal de Justiça, decidiu que somente o exame de sangue e o bafômetro podem servir como prova. Aquela famosa discussão de não se produzir prova contra .O Judiciário diz que se contrariamente agisse, estaria legislando e invadindo seara que ´não é sua. O Legislativo, que há tempos não legisla nada interessante, só se enrola e não define a questão. Por outro lado, assiste-se, todo dia, os infratores rindo e se jactando do seu "alto" conhecimento jurídico: " Não sou obrigado a produzir prova contra mim", quase sempre acompanhado de um " seu babaca" para a câmara que faz a cobertura.
Certamente a questão não se define, por conta de interesses escusos, Impossível se imaginar, entre tantos jurisconsultos, não existir alguém que para de se preocupar com o camundongo enquanto o paquiderme passa.Enquanto isso, nossos irmãos, seus filhos curitibanos estão morrendo, por conta dos irmãos que gostam dos malfeitos. Desculpe Curitiba, te incomodar com isso no dia do teu aniversário, mas o Superior te mandou um presente de grego..
.. PS. QUEM SABE, ALÉM DE UM NOVO IML, UMA CAMPANHA, DE VERDADE, PARA TRATAR DO ASSUNTO.

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