terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MATADOURO

Dia desses por qualquer circunstância que não me lembro bem, acabei pela primeira vez, utilizando o ônibus que transita pelos balneários. Depois de longos quarenta minutos de espera, apareceu o dito cujo. Vinha do Atami, em direção a Praia de Leste. Pelo caminho, inúmeras irregularidades cometidas pelo motorista, como não parar quando solicitado, parar fora do ponto, parar para apanhar funcionário da empresa que caminhava pelo acostamento, e outras do gênero,observei uma das mais degradantes cenas da minha vida ( e olhe que já vi muitas). Os beneficiados pela LEI, maiores de sessenta anos, ao invés de entrar pela porta dos fundos e poder sentar, são obrigados a entrar pela porta dianteira e ficar em pé e apertados, entre ela e a catraca. Apenas três míseros bancos. Lotados rapidamente, os outros idosos em pé e apertados, num calor de quase trinta e cinco graus, demonstravam nos seus olhares tristes toda a "satisfação" pelo benefício que lhes foi concedida. Parecendo muita mais recebedores de uma esmola, vieram eles sacolejando e se refrescando como podiam, sem sequer como se segurar, correndo o risco de cairem e se quebrarem também fisicamene. Isto tudo aliado a velocidade imprimida pelo atrasado motorista, junto com o fato de estar transitando por uma rodovia, colocou em grande risco aquelas pessoas que,certamente, naqueles breves momentos devem ter assistido um filme de suas vidas, e estar tentando imaginar o que de mal teriam feito para serem tratados como animais rumo ao matadouro. Felizmente, ninguém se machucou fisicamente, mas com certeza psicologicamente sairam pra lá de arranhados. Para melhor a situação os nossos queridos jovens pontalenses --- felizmente a minoria ---entravam pelo coletivo aos empurrões e sem qualquer cautela com os idosos, esquecendo-se que também tem mães ou pais, ou ainda familiares que necessitam do mesmo serviço... Pensei seriamente em promover um motim e acabar com aquela viagem. Porém, ao olhar detidamente a cobradora e o motorista, senti que a situação também não lhes era agradável... Resta esperar pela fiscalização, e pelo bom senso dos empresários do setor...Isso eu já acho muiiiiiiiiiiiiito difícil.

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