Plagiando uma música sertaneja de muito sucesso -- Sessenta dias apaixonado --, lembrei-me hoje de que o Velho Marinheiro faz 60 dias. Evidente, que exageros à parte, a coisa é para se apavorar mesmo. Nunca vi um tempo tão ruim desde que moro aqui na praia. Chuva, frio, vento. Um dia chuva e frio, outro dia chuva e vento. E pra variar, chuva frio e vento. Isso por intermináveis três ou quatro semanas. Viva alma na rua, viva alma no bar. E as contas correndo celeremente ao encontro do final do mês, e dinheiro que é bom nada. Muito menos previsão de aparecer algum. Mas isso não é tudo. A falta de experiência que imaginei pudesse ser superada pelo trabalho intenso, é impressionante. Parece que nada dá certo. Quando compro Antarctica, o pessoal quer Skol, quando compro as duas querem Brahma. Quando tem refrigerante em lata, querem em garrafa. Quando tem uisque nacional, querem o importado. Refaço os cálculos, e compro de acordo com o que mal conseguimos vender. E compro tudo ao contrário. E daí todo mundo pede contrário do contrário. Vá entender. Vou descobrindo aos poucos que, mesmo tendo um movimento pequeno, por conta de uma série de circunstâncias que parecem só acontecer comigo, sempre as pessoas pedem, ou o que não tem, ou o que tem menos. " Pô, Guara, não tem isso. Pô Guara, não tem aquilo" " Que lugar legal pra montar um bar". E o pior de tudo, é que são os amigos que reclamam mais. Os clientes eventuais, talvez até pela minha cara de rei do noviciado, são mais compreensívos. Quando toco música popular, enchem o cantor de bilhetinhos, pedindo tudo, menos música popular. E lá pelas tantas começa o barulho. Querem por querem música sertaneja. ( não tenho nada contra, a não ser o fato de pretender mudar, pra não concorrer com outras tantas do gênero). E o tal de " Toca Raul",sempre aos gritos de 'UH,UH.TOCA RAUL". Os músicos devem ficar com o saco cheio, principalmente porque, lá pelas tantas todo mundo vira cantor. E quando o coro de vozes desencontradas, "persegue" o pobre cantor, este canta mais alto pra não perder o rumo, o que imediatamente provoca a reação inconsciente de seus pares, que aumenta o volume, e assim ninguém mais se entende. E as comidinhas. Ah, as comidinhas. A idéia foi de montar um cardápio diferenciado. Meus dois filhos, chefes de cozinha, se esmeraram no cardápio, magnificamente executado pela chefe do fogão, D.Lúcia. E dá-lhe montagem de pratos bonitos,saborosos, e o que é mais legal, a preços módicos. No começo todo mundo gostou. De repente, o povo começou a pedir pratos de um tal " cardápio alternativo" que a gente se obrigou a criar por conta dos pedidos, quase súplicas. E dê-lhe moela, quibe frito, batata, sardinha frita ( uma delícia) e outras coisas do gênero. A cozinheira endoidou. Que bonito," então tô aqui pra fritar quibe". Exagero. Não é só quibe não, são todos os outros quitutezinhos que nós barzeiros adoramos. E assim o tempo foi passando.O bar funcionando, os bebuns errando a pontaria no vaso do banheiro. O papel toalha e o higiênico sendo confundindo e usado para o mesmo fim. Os filósofos de plantão resolvendo os problemas do mundo. A mulherada bonita desfilando. Os caras se achando lindos, depois de uns "embelezadores". Caricaturistas sempre em ação, dando uma forcinha nos retratos das mocinhas e não tão mocinhas. Cuidadores de carros se escalando nas proximidades. Enfim, um perfeito, querido , amado e romântico boteco. Por isso, São Pedro, apesar de tudo, to gostando da coisa, mas dá uma forcinha, dá uma melhoradinha do tempo. Preciso dar uma melhoradinha no caixa. Afinal de contas, nem só de romantismo vive o homem
BOTECO= lugar onde todo mundo se reune, pra conversar, ouvir música,comer, beber e ser feliz. Tudo isso é igual VELHO MARINHEIRO. -

Um comentário:
já já chega a temporada e tudo vira mil maravilhas, calma, só mais um mês e vai ferver toda a noite!
=***
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