terça-feira, 11 de novembro de 2008

Tá começando a esquentar.

Bom dia. Que este dia seja de paz e alegria. Este é o primeiro comentário a ser postado.Espero que seja o inicio de um bom e franco relacionamento. O objetivo principal de " COM O SACO CHEIO'' é abrir um espaço verdadeiramente livre, onde as pessoas com liberdade e responsabilidade possam exprimir suas opiniões, muito mais do que ler as minhas, um simples e humilde observador do cotidiano. A experiência adquirida em muitos anos de serviços à Segurança Pública do Estado do Paraná, vendo e vivenciando todos os tipos de situações, principalmente as mais desagradáveis, proporcionou -me a oportunidade de conhecer mais profundamente as diversas realidades do nosso Estado, com suas peculiaridades regionais, e costumes e tradições diferentes

Com isso, aprendi também a conhecer melhor as dificuldades e os anseios dos habitantes de várias regiões do Estado. Por último, instalei-me, buscando atuar na área ambiental, no litoral do Estado do Paraná, mais precisamente em Pontal do Paraná. Um lugar aprazível, bucólico, com gente ordeira e trabalhadora, mas que tem várias coisas para nos deixar COM O SACO CHEIO. Ainda hoje, jornais da capital, noticiam o total descaso com a questão da segurança pública, situação que conheço bem, pois no ano de 2001, aqui prestei serviços. Os moradores, pela centésima vez, indo à imprensa, talvez último estágio antes de ir "reclamar pro bispo", na esperança de que alguma coisa melhore. Vejo todos os dias, é bem verdade, em escala relativa, fênomenos que antes imaginava ser privilégios ( ou castigo ) de grandes cidades. Furtos, assaltos, estelionatos, receptação e a desgraça dos tempos modernos. O tráfico ilegal de drogas. Este viciando jovens recém saídos da infância, destruíndo famílias inteiras, corrompendo valores morais, corrompendo agentes da lei. Tudo isso sob os olhares desesperados dos vitimados, e complacentes daqueles que deveriam cuidar da segurança pública. Fossem eles tão hábeis com o combate ao crime,como são para se desculpar e prometer soluções, que estamos cansados de saber, não chegarão, provavelmente o resultado seria muito mais interessante.

Mas, a coisa está começando a esquentar, o verão está chegando, e nosso litoral, como todos os anos vai receber "incentivos fantásticos" para a temporada. A operação verão que se inicia em meados de dezembro fará aqui aportar centenas de policiais, civis e militares, que até o final de fevereiro, como soe acontecer serão muito mais conhecidos pelas suas estropolias noturnas, do que pelo trabalho propriamente dito.

É bem verdade, que muitos deles vem realmente para trabalhar, mas que tem um monte que vai nos deixar COM O SACO CHEIO, pela sua falta de profissionalismo e responsabilidade, isso também é verdade. Fossem esses brilhantes milicianos comandados pelos delegados locais que durante o ano, sem qualquer estrutura seguram as pontas, quem sabe o trabalho seria mais eficiente. Não isso não acontece. Policiais de todas as regiões do Paraná, comandados por superiores igualmente de fora do litoral, correm muito e produzem pouco. A culpa não é deles, de não conhecerem os bandidos e os locais onde se escondem. Isso, é só o começo e a população nativa e os turistas já conhecem e, muito embora estejam COM O SACO CHEIO, acabam se acostumando com os percalços,e animados por uma pela paisagem e cerveja gelada, atravessam mais uma temporada

Antes de chegarem ao nosso belo litoral, todavia, serão brindados por mais um aumento do pedágio, já anunciado pelo governo do Estado. Parece, ter o prazer mórbido de anunciar justamente quando se avizinha as férias de final de ano. Coincidências à parte, o reajuste vem justamente quando aumenta o fluxo de veículos na BR 277, que liga Curitiba ao litoral. Sempre com a mesma desculpa, e sempre aumentando muito mais do que paga de reajuste a seus servidores, por exemplo, o ilustre governador "incentiva" o turismo paranaense, enquanto descansa sua beleza no litoral catarinense. Dá pra ficar COM O SACO CHEIO?


E a Ilha do Mel, situada a poucas milhas de Paranaguá e Pontal do Paraná, paraíso natural visitado por milhares de turistas todos os anos. É um espetáculo! Belas praias, geografia privilegiada, mata nativa em abundância, e muitas, mas muitas coisas para deixar qualquer um COM O SACO CHEIO. Desde que me conheço por gente ( e olha que já faz tempo) a ilha vem sendo ocupada de maneira totalmente desordenada. Sem água encanada, sem esgotos. Os manancias sendo contaminados sem a menor cerimônia. Esgotos jogados diretamente ao mar, e outras tantas coisas que podem ser imaginadas. Dezenas de barzinhos, restaurantes, pousadas, etc,etc, se instalaram ao longo dos anos, sem qualquer cuidado com o meio ambiente, Os mais elementares cuidados com o meio ambiente e a própria saúde pública não são observados.


Por outro lado, inúmeras construções suntuosas lá estão encravadas à beira mar, feitas inclusive de alvenaria e os materiais que não a madeira. Pela grandiosidade e localização das residências, fácil se perceber a qualidade de seus proprietáios. Evidentemente, não se tratam de nativos. São de pessoas, que ou compraram os terrenos a preço vil dos pescadores, ou pior ainda, simplesmente se apossaram, prática bastante comum no nosso litoral.


Como se não bastasse essa indecência, vem o Estado do Paraná, com um pacote de medidas para restringir a venda do imóveis da ilha do Mel Segundo, o que se pretende, os imóveis somente poderão ser alienados a pessoas da familia do proprietário. Igualmente, vai se cobrar uma taxa anual dos moradores e turistas, para lá permanecerem. Restrição quanto ao uso dos terrenos, preservação da vegetação nativa, entre outras coisas.


Num primeiro momento, pode soar aos desavisados que o Estado está altamente interessado em preservar o local. Acho interessante as medidas, se realmente atingirem quem deve ser atingido.


Ocorre, que as grandes construções( de alvenaria) que lá estão e não pertencem aos pobres pescadores, vão continuar lá, do mesmo jeito que estão. Para eles, a taxa de permanência, não faz nem coceça no bolso. Enquanto que, para os nativos, a diferença é sensível. Além o que, e aqui lanço um desafio, nada absolutamente nada vai mudar, por que há muitos anos existe essa estória, e somente os bagrinhos pagam o pato.


O Ex- Secretário de Desenvolvimento Urbano, veio a Público comentar que existe o projeto desde 2004. Ninguém sabe dizer, por que até agora não foi implantado. Só para relembrar , como tantos outros nomes ilustres, a familia do ex-secretário tem " um ranchinho", possivelmente à beira mar, com porto particular para sua bateirinha .


Entendam, por favor. Não sou contrário a qualquer tipo de ordenamento ocupacional na ilha do Mel, ou em qualquer outro lugar Sou é contra a hipocrisia. Gostaria de estar enganado. mas a conta, de novo, vai pros bagrinhos.

O espaço COM O SACO CHEIO, tem como objetivo principal, discutir abertamente os temas ligados ao cotidiano, de uma forma simples e sem frescuras. Por isso, preferimos privilegiar o conteúdo à forma. Perdoem-me os letrados conhecedores do nosso idioma pátrio.

Ao batizar o espaço como COM O SACO CHEIO, procurei sintetizar de uma forma irreverente,

o sentimento que nos toma quando ouvimos piadas sem graças, feitas por aqueles que deveriam levar a coisa à sério. bom dia!