A recente onda de crimes sexuais contra crianças além de repugnante e assustadora, não é de hoje. Em artigo escrito por SUSAN JACOBY, em Seleções de Readers Digest, Tomo XXII, nº 132 de maio de 1982 já era tratado.
Este ano, inúmeras crianças vão sofrer alguma espécie de violência sexual. Eis aqui alguns conselhos para os pais
Este ano, inúmeras crianças vão sofrer alguma espécie de violência sexual. Eis aqui alguns conselhos para os pais
COMO AGIR SE SEU FILHO FOR SEXUALMENTE MOLESTADO
Jennifer, de nove anos, travessa garota que geralmente passava as horas de folga jogando beisebol e subindo em arvores, de repente começou a preferir ficar em casa. Depois de vários dias, a mãe dela principiou a fazer perguntas. Jennifer rompeu em prantos e disse: “ Tenho medo que o Sr. Abóbora queira brincar de Castelo comigo de novo.”
O “Sr. Abóbora” era o nome que as crianças da vizinhança davam a um zelador da pracinha; ele não tinha um dos dentes da frente e divertia as crianças fazendo caretas. “Castelo”, ao que se viu, era uma brincadeira em que havia esconderijo e que o homem a obrigara a brincar com ele, certa tarde. “Que aconteceu quando você chegou ao castelo, benzinho?perguntou a mãe de Jennifer, com tato. “ O Sr. Abóbora tirou minhas calcinhas e me tocou aqui”, soluçou a menina. “ Fiquei chocada”, diz a mãe de Jennifer. “ Falei mais um pouco com Jennie e descobri que ele só tinha tocado na parte externa dos seus órgãos genitais, e que ela não havia sido fisicamente molestada .
“Então eu a abracei e disse que alguns adultos ( não muitos, mas alguns) fazem coisas que não devem, com as crianças. Acrescentei que ela estava segura e que e o seu pai íamos fazer que o Sr. Abóbora nunca mais repetisse aquilo”
As violências sexuais contra as crianças são um assunto que ninguém gosta de enfrentar, mas a mãe de Jennifer reagiu acertadamente: acreditou no que a filha lhe contou e disse-lhe que agira certa ao lhe contar o caso.
A Dra. Helen Rodriguez-Trias, pediatra e especialista em violências contra crianças do Centro Hospitalar ST Luke’s-Roosevelt, em Nova York diz que o dano psíquico que ocorre quando o pai ou a mãe se recusam a acreditar no filho ou a conversar com ele muitas vezes é mais grave do que o próprio incidente.
Nada de mais. “É muito comum, diz ela, “que os pais fiquem tão perturbados e avessos a enfrentar a realidade que digam ao filho “ Você imaginou isso” ou “Pare de inventar histórias”. Quanto mais o pai ou a criança conhecerem o molestador, mais difícil será para eles enfrentar o fato, e na grande maioria dos casos, o molestador é conhecido da criança”
A violência sexual ( expressão que abrange tudo, desde a exibição dos órgãos genitais a uma criança, até uma relação incestuosa) não é rara. Ocorre em todos os grupos econômicos e raciais.
Infelizmente, só os casos menos traumatizantes ( estranhos exibindo-se) e os mais graves ( aqueles em que a possibilidade de danos físicos torna necessário um internamento hospitalar) tendem a ser registrados. Quando os pais sabem que o filho foi molestado sexualmente, podem ficar aliviados ao descobrir que não relações sexuais que tendem a dar pouca importância ao incidente.
Florence Rush, autora de The Best Kept Secret: Sexual Abuse of Children, denomina essa reação de syndrome de “nada de mais aconteceu”.Florence Rush, assistente social psiquiátrica há 25 anos, notou que os profissionais médicos, bem como os pais tendem a dizer, com um suspiro de alívio, “ Nada de mais aconteceu, quando ouvem contar que um homem se exibiu para uma criança, ou tocou em seus órgãos genitais, ou levou uma criança a tocá-lo ou mesmo praticou sexo oral. ” No entanto”, observa Florence, “ todos os incidentes de violência sexual têm um efeito grave a auto-estima de uma criança. As fronteiras da criança foram violadas. Ela foi atraída ou obrigada a fazer algo que lhe provoca uma profunda sensação de vergonha e confusão”.
Saber interrogar. Como os pais, e muitos médicos, ficam confusos quanto ao que fazer para ajudar as crianças molestadas, é importante entrar em contato com pessoas treinadas para lidar com essas situações. Especialistas em violências sexuais entendem que o mais importante que os pais podem fazer e acreditar nas crianças quando elas contam esses incidentes. Muitos adultos acham que as crianças inventam essas histórias, no entanto, o consenso dos que trabalham intimamente com crianças molestadas, é que elas não têm tendência para exagerar a gravidade do incidente.
A Dra. Rodriguez-Trias diz que isso é verdade, sobretudo no que se refere aos adolescentes. “ Uma adolescente, cheia de todo o tipo de novos sentimentos sexuais, pode sentir maior vergonha do que uma criança pequena. Essa sensação de ter contribuído para um incidente, talvez apenas por parecer amadurecida, pode levar uma moça a se mostrar ainda mais relutante em contar aos pais o que se passou. Qual a mãe que nunca teve uma briga com uma filha adolescente, por ela usar batom de mais ou jeans muito apertados?” (sic)
Os pais devem estar alerta a qualquer mudança repentina no comportamento dos filhos, e à possibilidade de que algum incidente sexual possa ser a causa. Uma mãe foi alertada quando o filho de nove anos chegou do acampamento, e começou a ter pesadelos e a se recusar a dormir de luz apagada. “ Como a mudança no comportamento dele se deu de noite”, disse ela, “eu me concentrei no que as crianças faziam no acampamento, depois de apagadas as luzes. Perguntei se os garotos contavam histórias de fantasmas ou coisas desse tipo. Por fim ele me informou sobre um acompanhante que ia para a cama dele depois que os outros garotos estavam dormindo.”
Sugestões. Como muito dos atacantes sexuais são homens, a reação do pai é muito importante. Quando a criança é molestada, a presença e o apoio do pai são vitais, por um motivo óbvio: ela precisa de saber que nem todos os homens são iguais ao agressor. Depois de o pai ou a mãe saberem de um incidente e demonstrarem acreditar na história da criança, os especialistas sugerem que tomem uma série de medidas importantes.
- Oferecer consolo e exprimir tristeza, mas não mostrar aflição demasiada , para a criança não ter a impressão de que aquilo é a coisa pior que poderia ter acontecido.
-Garantir à criança que ela agiu corretamente ao contar o que se passou. A maior parte dos molestadores ameaça a criança para que mantenha o incidente em segredo. Pelo simples fato de nos contar, ela está se aliviando de um tremendo peso de vergonha e medo.
-Não deixar dúvidas quanto ao fato de que a culpa e a responsabilidade cabem ao agressor. No caso de crianças pequenas, alguns pais fazem a comparação entre o agressor e um ladrão, como um meio de sugerir que a maior parte dos adultos não faz tais coisas.
-Dizer à criança que se vai denunciar o agressor à policia. Se este for amigo ou parente, um processo legal é evidentemente muito mais difícil. No entanto, os arquivos da policia demonstraram sem dúvida alguma que a violência sexual raramente é um crime não repetido. No final das contas, ser preso pode ser melhor para o próprio agressor. Os pais também devem encarar o problema de qual a assistência médica que poderá ser necessária. Se a criança afirmar que não aconteceu nada mais além do ato de tocar, pode não ser necessário um exame médico, isso poderá ser feito durante uma consulta de rotina ao pediatra; mas se os pais acharem que pode ter ocorrido penetração, a criança deve ser imediatamente levado à um médico para ser examinada. Mesmo que não tenha havido dou uma lesão evidente, a criança pode ter contraído uma doença venérea.
Devem os pais procurar auxílio psiquiátrico para a criança? Se não ocorreu violência física, e se os pais puderem conversar abertamente sobre a situação com a criança, e bem provável que ela não precise de auxílio psiquiátrico, e se recomponha depressa. No entanto, os pais que se sentem constrangidos ao tocar no assunto podem precisar de falar com um conselheiro ou terapeuta, cuja especialidade será à de violências sexuais.
Os pais devem pensar aos filhos informações que os protejam. O velho conselho de não aceitar carona de estranhos não tem especial utilidade, pois muitos dos atacantes de crianças não são estranhos.
Sem torná-las desconfiadas de todos os adultos, alertem as crianças quanto aos perigos de quaisquer contatos físicos que as deixem constrangidas. Os sentimentos das crianças são uma orientação segura para a diferença entre a afeição normal e as investidas sexuais; elas sentem a diferença entre um abraço carinhoso e as carícias sexuais, da parte de um adulto.
O objetivo das conversas com as crianças é dar-lhes a confiança de procurar os pais sem se sentirem “confusas” quanto ao contato com um adulto. A coisa importante que as crianças devem saber é nunca dar ouvidos ao aviso de um agressor, para que “guarde este segredo entre nós”. É o segredo, e não o ato individual de violência sexual, que pode infligir o maior mal à criança.
SUSAN JACOBY
PARA REFLEXÃO: Os tempos teriam mudado tanto? Sequer cogitou a autora e especialistas ouvidos, a possibilidade de homicídios envolvidos.,como vem ocorrendo hodiernamente. A presença de novos componentes agravou a situação?
O QUE FAZER?

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