Depois de um final de semana maravilhoso, recebendo ensinamentos especiais, e muito amor e carinho dos meus colegas do curso de PNL, preparo a volta ao litoral. Cheguei por volta das 18:00h, e para minha alegria o próximo ônibus sairia as 20,45. Menos mal, pois a Aninha colega de curso, fez hora até as dez, para rumar de volta a São Paulo..Lanche, banheiro, palavras cruzadas e outros artifícios e a hora chegou. Ônibus razoável, horário certo, noite agradável, um cenário perfeito para uma soneca reparadora de mais ou menos uma hora e meia. Dez minutos de trajeto e a "agradável" intervenção do nosso querido condutor. Parou sem cerimônias o veículo, e acendeu as luzes subitamente, o que por si só, já acordou os que começavam a dormir. Esta atitude, ja causou espécie para todos, mas o que se sucedeu foi o mais obsoluto desconhecimento dos mandamentos da neurolinguislitca. Sem qualquer rebuço, anunciou em alto e bom som: " OLHA, VOU DAR UM AVISO, ESCONDAM AS CARTEIRAS E OS TELEFONES CELULAR ( assim mesmo) POR QUE VOU TER DE PARAR NO POSTO PARIS PARA PEGAR UM PASSAGEIRO, E AI JÁ DEU UNS B.O. DE ASSALTO. ENTÃO FIQUEM ESPERTOS. " Fechou a porta e seguiu como se nada tivesse acontecendo. As crianças assustadas, perguntado para as mães o que era assalto. Os passageiros indignados, perguntado por que deveria parar. Os mais exaltados, se preparando para a guerra. E eu? Eu, depois de um filme em velocidade espantosa ter passado por minha mente, senti aquele frio, meu vellho conhecido de tempos de ativa, ainda que o calor reinasse no interior do ônibus. Era aquele frio que precedia a qualquer ação que tinhamos de tomar. Breves segundos, ou intermináveis minutos se passaram, não sei. Minha primeira providência foi esconder meus documentos funcionais e que deletavam minha condição profissional, alvo preferido dos bandidos. Em seguida, tentando demonstrar tranquilidade, abri minha bagagem, acondicionada debaixo da poltrona, e preparei minha arma, para o confronto que parecia iminente, pois a cada quilometro percorrido aproximava o veículo do perigo anunciado. Assim, com a mala aberta e com as mãos disfarçadamente segurando a arma, viajamos mais algum tempo. Enquanto isso. todos os que estavam no ônibus, passaram a ser para mim, suspeitíssimos, inclusive o que estava sentando ao meu lado, que cá entre nós, tinha um jeitão bem interessante ( olha aí o julgamento). E assim, de repente o ônibus parou no tal posto. O motorista desceu, em meio a escuridão e neblina e depois de algum tempo, entra uma simpática senhorinha, nada suspeita ( pelo menos sua aparência não a denunciava --- mais um julgamento). Mesmo assim, sabedor das táticas de assaltantes de ônibus, por ter muito tempo trabalhado em Fóz do Iguaçu, permaneci alerta, pois poderia ser ela apenas uma isca,para desviar a atenção, e estarem os verdadeiros assaltantes dentro do veículo. A viagem de uma hora e meia parece que durou um século. Nunca acompanhei tanto o movimento dos passageiros, que parecem que resolveram usar com constância o banheiro. Cada levantada, acendida de luz, ou tossida diferente, era um pulo. Apesar disso tudo, chegamos em paz. O semblante dos passageiros se iluminou quando as luzes da rodoviária foram avistadas. Pergunto agora? Ainda que o desastrado motorista tivesse a melhor das intenções, nitidamente sua intervenção foi altamente desastrosa. Eu, experiente nas lides policiais e recebendo ensinamentos profundos sobre o poder das palavras, quase tive um troço. Imagine o restante dos passageiros, que certamente como eu, imaginaram toda a cena do assalto, com suas terríveis consequências. Juro, que ouvi, o barulho dos tiros dentro do ônibus, senti o cheiro da pólvora e da morte,vi o desespero das pessoas, na projeção que fiz do que,realmente poderia ter acontecido. Parece que realmente passei pela experiência. Apesar da vivência profissional, devo dizer que não me senti bem. Tudo por conta do poder fantástico das palavras em nossa vida, e pelo total despreparo do nosso querido condutor, não imaginando, certamente, o mal que sua atitude "proterora" causou. .Um caso a se pensar. Os prestadores de serviço, tem a obrigação de oferecer, entre outras coisas, segurança para seus usuários, e quem sabe oferecer um treinamento mais qualificado para seus funcioários. Vai que numa dessas tem alguém que sofre do coração.
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