Privilegiando o conteúdo a forma, peço todas as licenças poéticas. Sim, para se compreender esta história, vamos recorrer ao coloquial. Meu Deus do Céu, que perigo passei! Quando na já remota década de noventa, eu era Delegado de Polícia, no Sétimo Distrito Policial, lá entre tantos outros presos (indevidamente naquele local), lá estava o Sr. Edmilson Ferry. Cara normal, boa praça, auxiliando no “pagamento” do rango. Enfim, apenas mais um desafortunado a freqüentar aquela fétida cadeia. O tempo passou, rodei o Paraná, trabalhei em vários lugares, e de repente me deparo com o “monstro” TÕKA. Dono da Assembléia Legislativa e presidente do Sindicato dos Funcionários da Assembléia, ainda que fosse apenas comissionado. Assisti atônito as discussões públicas protagonizadas pelo atual presidente da Casa e do presidente do Sindicato. Lavação de roupa pura. Acusações recíprocas, que mais pareciam briga de boteco. Assuntos sérios sendo discutidos como uma leviandade que beira o ridículo. Novamente o tempo, senhor da razão, fez com que as coisas voltassem quase que ao normal. De diferente apenas o anúncio de que o processo contra o Edmilson, finalmente começou a andar. Imagine, desde a época de noventa, esse processo já existia, e era o motivo de o Tôka ser “hóspede” do 7º D.P. Naturalmente, o impulsionar do processo nessas condições, foi mais uma daquelas coincidências maravilhosas que a vida nos traz. Ouvi o anúncio de várias medidas moralizadoras. Sinceramente, fiquei orgulhoso do “peito” do bravo representante de Bituruna, ainda que achasse as medidas extramente atrasadas, em relação a tudo que se ouve dos bastidores da Assembléia nos últimos trinta anos, mais de vinte dos quais com a participação do atual presidente, na condição de deputado. Mas, enfim, antes tarde do que nunca, imaginei esperançoso. Ainda mais porque, quando delegado em União da Vitória, soube da fama do deputado Rossoni, muito diferente dessa cara de anjo que mostra na mídia. Agora vai.O homem acostumado a tratar com muitos peões de suas fazendas, a quem os “cabocos” da região chamam de capangas, por suas atitudes pouco ortodoxas, vai baixar a ripa e acertar os ponteiros. De repente, não mais do que de repente, a verdade sai da toca (perdoe-me o trocadilho infame). Nelson Justus, acusado de uma série de irregularidades, respondendo questionamentos legais, é candidatíssimo a presidir a mais importante comissão da casa. A Comissão de Constituição e Justiça. Argüido sobre a questão o ilustre presidente, saiu com umas desculpas que sequer as crianças do grupo lá de Bituruna acreditam. “Vai ser apenas o Presidente, quem vai decidir sobre as questões são os membros da comissão” Pára de chamar a gente de burro. Todos sabem a importância e o papel estratégico de tal comissão. Estão fazendo com o deputado Nelson Justus, o mesmo que fizeram com o “Tôka”. Calma que eu já explico. Quando com prisão preventiva decretada e prestes a ir a Júri Popular, o tôka foi acolhido sob as asas do então presidente, de não tão saudosa memória, e de lá não saiu mais. Pergunta inocente. Qual o tipo de pagamento que Tôka proporcionou, para ser tão bem abrigado? Que tipo de trabalho teve de desempenhar?Quantos teve de cobrar para deputados que tinham o estranho hábito de emprestar dinheiro a juros quase que impagáveis. “E outros trabalhinhos pouco ortodoxos, consubstanciado em proteger, cuidar, zelar, e dar lucros àlguns deputados, certamente envolvidos em atividades, digamos assim, não exatamente cristalinas” E assim vai. Depois voltamos nessa prosa. Recentemente, mesmo sempre investigado, o deputado Justus igualmente foi colocado sob as asas da CCJ, bonito isso né. Então, outra perguntinha inocente: “Por conta do que, todos os deputados sabedores da situação legal do Tôka, não tomaram qualquer providência? E provavelmente todos sabiam dos “truques” engendrados pelo Diretor Geral, e que de alguma forma lhe traziam lucros. Ou será que ninguém sabia como funcionam os pagamentos dos funcionários comissionados, situação que somente agora foi tornada pública pelo GAECO. Pois bem, vamos fazer de conta que ninguém sabia de nada. Tudo bem. No último domingo, li estarrecido a reportagem do presidente Rossoni, admitindo que sabia dos fantasmas, dos desmandos do Diretor Geral, dos rolos dos seguranças e tudo mais, e que não pode fazer nada. Que é isso companheiro? Ta maluco ou tomou muito daquela cachacinha feita lá pras bandas de Bitutuna? Admitiu publicamente sua omissão (ou seria conivência) com todos os fatos irregulares , talvez na certeza de que nada vá lhe acontecer. Afinal de contas, se para Nelson Justus, Cury e” et-caterva”, nada aconteceu, por que iria agora acontecer, só por que “ não adiantava contar nada pra presidência”. Gente, vamos falar sério. O atual presidente, sedizente o moralizador, revela publicamente que ele, e mais cinqüenta deputados, eram reféns da direção geral e dos seguranças, e que não tinham como fazer nada. Sequer denunciar. Isso soa tão falso, quanto dizer que o Tôka, fazia e acontecia e que ameaçava deputados e funcionários. Que mandava na Assembléia, sem que ninguém dos posudos deputados fizesse nada. Ora, até onde eu sei, deputados são pessoas conceituadas no seu grupo, social, inteligentes,bem articulados, com uma vasta rede de contatos sociais, inclusive na área jurídica e de segurança, e mesmo assim, estavam como medo do Tôka. Ou seria, que ele, Tôka era o quebra galho oficial dos parlamentares, assim uma espécie de “assessor para assuntos aleatórios”, promovendo segurança pessoal para eles e seus familiares, enfim uma espécie de guarda costas privilegiado. Quero entender, por força dos meus anos de vida e de experiência policial, que era ele, apenas um braço armado, não só da direção geral, mas de todos os deputados, uma das razões que poderia explicar todo seu poder dentro da casa, e a sua tranqüilidade para exigir tudo aquilo que imaginava ser de direito. Afinal serviços especiais, devem ter remuneração especial. Não me venham dizer que não sabiam das artimanhas todas; não me venham dizer que tinham medo do Tôka; Talvez fosse melhor dizer, que tinham medo do que o Tôka poderia contar. Aí sim o bicho pode pegar. Então entre rabos presos aqui e acolá, resta esperar que digníssimo Ministério Público tome providências quanto a fala do atual presidente, que entre tantas outras pérolas disse não ter visto recadastramento que Nelson Justus deveria promover, e que praticamente todo mundo sabia o que acontecia, mas não tomaram providências. Por favor, leiam a reportagem com os olhos de ver. Existe muita coisa nas entrelinhas. Providências por favor. Quanto aos deputados, uma indagação: Quem seriam os mais perigosos? Tôka e seus seguranças, ou todos os outros deputados que sabiam deles e nada fizeram? À quem o Tôka fazia serviços? Por seu livre arbítrio, ou obedecendo ordens, inclusive de alguns que agora o escarnecem? Afinal quem são os bandidos da Assembléia? Conheço os labirintos da Assembléia e conheci o TÕka, quando preso em delegacia. Sinceramente não sei responder. E mais, por enquanto o único que não está entregando ninguém é ele.Interessante não?
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