terça-feira, 24 de agosto de 2010

ADMINISTRAÇÃO ASSASSINA..

O dia amanheceu tão lindo. Os trinta graus de temperatura anunciados, estavam quase chegando. Enfim, um dia de sol. Parecia um dia perfeito, daqueles que há tempos não fazia no litoral. A reforma da casa, finalmente, poderia ser acelerada. Eu bem fisicamente, voltando as minhas pedaladas. Passei cumprimentar minha amiga Zuca pelo seu aniversário, e retornei pra casa, orientar a reforma. De repente, o telefone. Sem conseguir identificar a voz que no outro lado dizia apavorada " Meu Deus do Céu, mataram o Delegado" Levei alguns segundos para me achar e finalmente, escutei que havia matado o Delegado Zuba, meu amigo de longa data. Indignação, raiva, compaixão,sei lá um monte de sentimentos misturados. Liguei pra delegacia, e a confirmação. No atendimento de uma ocorrência aparentemente rotineira, o fim da vida.Acompanhado de um "policial" que restou ferido. Ofereci meus préstimos, nem sei por que direito, sabendo que naquela hora dezenas de policiais já rondavam o litoral. Fiz uma prece, e me recolhi em silêncio. O primeiro pensamento: Quantas vezes nessa carreira inglória, mas instigante, devo ter escapado de situação semelhante. O baixinho, como era carinhosamente chamado, não tinha medo de tamanho e cara feia. Mas uma vez, foi ao encontro da morte. Ela veio sorrateira e traiçoeiramente, por trás, para tirá-lo do nosso convívio. Os policiais desorientados, correndo pra lá e cá, como eu, que na delegacia pra onde fui quase que instivamente, apenas observei a tristeza e a desolação de todos, Voltei para casa e fui procurar alguns documentos que escrevi em 2003, quando aqui fui delegado, pouco antes de me aposentar. Aí sim, uma raiva, quase um descontrole tomou conta de mim.Canalhas que foram responsáveis pela Segurança Pública nesses últimos anos, deveriam estar em cana. Eles colaboram efetivamente com a morte do Zuba. Vou contar porque. Contei tudo que ocorria na praia já naquela época. Falei do reduzido número de policiais voltados à investigação, somado ao pequeno contingente da polícia militar. Falei dos conhecidos receptadores. Falei do aumento consideráve de lojas que comercializam móveis usados, e das "oficinas" de consertos e compra e venda de eletro-domésticos. Os "estabelecimentos" que adquirem metais proliferavam, tendo seus proprietários um crescimento financeiro surpreendente. Os carrinheiros, na verdade, desocupados diferentes dos verdadeiros catadores, alimentavam os compradores de metais, não se distinguindo metais descartados, daqueles furtados, como portões, janelas, e etc.Falei da necessidade de um controle sobre as "mudanças" que passavam pelo posto da ´Policia Rodoviária. Residências tinham todos seus pertences furtados e levados embora em qualquer impedimento. Pedi providências para a Prefeitura Municipal, para a criação de um cadastro de carrinheiros. Pedi um controle sobre as lojas de móveis e eletro-domésticos, visando controlar os produtos adquiridos, na maioria produto de furtos.Alertei sobre a ocupação indevida( invasões) que vinham crescendo consideravelmente,abrigando gente de todo o tipo. Reuniões infindáveis para se buscar identificar efetivamente os "comerciantes" que se estabeleciam sem qualquer óbice, e sem se saber exatamente quem eram.A maioria dos estabelecimentos comerciais não possuiam alvarás.As pessoas se encontavam em qualquer canto, sob o apelido de comerciantes, sem saber quem eram.Levantamentos estatísticos foram feitos, por modalidade de furto, produto furtado, balneário,etc.etc....Em contato com o Conselho de Segurança de Pontal do Paraná, soubemos das ingerências feitas junto a Promotoria e outros órgãos, relatando os mesmos problemas. Já naquela ocasião constatamos o aumento considerável do tráfico e consumo de drogas. Se furtava de tudo para trocar por entorpecentes.As famosas "Operações Verão", cujos integrantes eram muito mais conhecidos pelas estrepolias noturnas do que pelo seus tranbalhos, nada mais era do que uma propaganda oficial. Os policiais pareciam estar direcionados a fazer arrastões e outras investidas nos bares e restaurantes da beira mar, constrangendo crianças e familias, esquecendo-se de ir para os rincões mais distantes. Além disse deixavam centenas de inquéritos policiais e T.C.s sem solução, repassando o problema para o delegado local, que durante a operação era solenemente ignorado pelos "policiais da capital." Tão situação sempre enfatizada, sempre foi ignorada, porque não tinha chegado perto de um dos nossos.E chegou perto porque um dos nossos, que não se omitiu vinha combatendo com veêmencia essa desgraça que se abateu de maneira quase que incombatível no nosso litoral. Quade todos os policiais aqui lotados, sabem quem são os traficantes. Uns por serem covardes e outros por serem corruptos fingem não ver. Espero que demore para seus filhos serem viciados, e morrer, para que eles sofram bastante tempo. O tráfico, anunciado por mim desde 2003, se alastrou de maneira impressionante. A falta de policiais para a investigação e combate, fizeram com que o finado delegado, quase se matasse de tanto correr atrás. E o premio que ganhou. Amanhã provavelmente vão fazer salvas de tiros. Quem sabe ganhe uma medalha. Melhor seria se tivessem ouvido meus gritos e de outros que me sucederam, e tivessem pelo menos provido esse pobre litoral de segurança. É o mínimo que se pode exigir.Os traficantes, pelos policiais conhecidos, continuam solertes e faceiros, quiçá festejando a grande baixa que causaram. Se depender da administração, parece que vai continuar tudo igual. Se depender de mim, não. Vou escrever, vou contar, vou mostrar os documentos. Alguém tem de ser responsabilizado por essa omissão. Jogaram o baixinho pro leões. Enquanto isso,em Curitiba, os cínicos continuam dizendo que a Policia do Paraná e a melhor do Brasil. Quem vai cuidar da familia do abandonado policial? Vi hoje a familia natural dele, a dos policiais que era a sua segunda, todos alquebrados e abandonados. Pela perda irreparável de um homem do bem e policial de verdade, e por imaginar que podem ser os próximos, pois estão largados à própria sorte. Baixinho, vá em paz, vou continuar tua briga. Conforme sempre conversamos isso aqui só iria melhorar e ser olhado quando alguém importante morrese. Pô cara, mas não era pra ser você,
Era pra ser do lado do mal. Descanse em paz. Aqui a vida continua. Deixe que o Velho Louco,,como você carinhosamente me chamava, vai tomar algunas providenciazinhas... bjs.bjs.bjs..nos encontramos quando Deus me chamar...

3 comentários:

Fernando Picurutz disse...

Éééééé Dr., infelizmente mais um do bem foi-se nas mãos desses vagabundos malditos que infestam nosso litoral.
Há poucos meses atrás deixei meu comentário no seu post, onde você já cobrava das autoridades e citava que o Dr. Zuba tirava leite de pedra para combater os vagabundos.
Desta vez infelizmente foi atocaiado por marginais oriundos do crime organizado carioca, que para tristeza das pessoas de bem tiraram sua vida covardemente.
Até quando vamos ver o litoral dominado por vermes da pior espécie, que migram de seus estados de origem pra se esconder dentre as pessoas simples e de bem que moram em nosso litoral.
Vejo na tv propagandas de voto consciente e blábláblá.
Ontem pela primeira vez vi alguns minutos da propaganda política, digo alguns minutos pq ninguém em sã consciência consegue assistir mais do que isso.
Quanta baboseira!
Creio que se a campanha de votar conscientemente pegar mesmo, não teremos eleição desta vez, pois todos nós votaremos nulo.
Fica aqui meus pêsames a família do Dr. Zuba, descanse em paz.

Um grande abraço Dr. Guará.

Fernando Alencar disse...

Salve Senhor!!!
Há muito que acompanho teu blog... e me confesso um leitor assíduo. Realmente lamento pela perda de alguem que tanto luta pelo "bem" e que era teu amigo.
Mas tenho uma observação a fazer.
Hoje vejo as manchetes dos jornais e lamento, e muito, a ação da polícia na caça desses marginais... Pois HOJE, a polícia usa de todo seu aparato e tecnologia para pegar os responsáveis pelo crime... mas quando é um "Zé Qualquer"... a burocracia diz que, quem sabe, daqui uns "quatro meses a gente começa a investigar"... Qual a moral disso?
PS: Assino o meu nome, pois acho que, como cidadão honesto, posso fazer isso sem medo!

Henrique disse...

Tio Guara! Parabéns, precisamos de quem fala msm pra mudar a palhaçada que vemos por ai. Um grande abraço!

Henrique