terça-feira, 25 de maio de 2010

ATÉ QUE ENFIM V

Relembrando. Nos " Até que Enfim" anteriores, paramos onde o "bonitão" João José de Arruda Jr, chegou em grande estilo na D elegacia, e imaginando na sua mente sei lá o que, estar sendo o centro das atrações,alisando os cabelos, em contraponto ao momento grave e solene que a situação impunha. Escoltado por alguns amigos, todos com os mesmos modos, e também pelo tio, MAURICIO REQUIÃO, estranhamente normal ( digo-o em comparação as suas ligações familiares) aboletou-se na pequena sala do cartório da Delegacia de Delitos de Trânsito. Na pequena sala, localizado no primeiro andar de um sobrado, no final da Av. Vicente Machado, adaptado para acolher uma delegacia. Por isso, a sala era pequena, e desconfortável. Ficou ainda mais desconfortável com a presença de várias pessoas. O escrivão Angelo, de porte médio, dois grandes advogados. Grandes mesmos, no talento e no tamanho. Os doutores Ronado e Rogério Botelho, pai e filho. Mais o indiciado e eu, também ambos de razoável compleição. Confesso que essa aproximação forçada não era nada agradável, mesmo porque os sentimentos envolvidos eram completamente antagônicos. O indiciado era o que aparentava mais tranquilidade. Os advogados absortos e interessados em fazer prevalecer sua tese, de que o indiciado era " sujeito de direitos". Eu, pensando diferente, e confesso,pretendendo arrancar de qualquer forma ( legal) informações que pudessem desmentir a estória que estava se" montando". Aos leigos devo esclarecer.Uma corrente entende que o indiciado é apenas sujeito da investigação, não devendo, e não podendo solicitar diligências nessa fase. Os advogados entediam poder criar uma espécie de contraditório, isto é, que diligências a pedido deles poderiam ser produzidas. Tudo isso acontecendo sob forte pressão e num exíguo espaço, onde se entreolhavam cinco homens, disfarçando suas intenções. Uns procurando defesa, outros procurando caminhos para descobrir a verdade. Tudo na mais perfeita harmonia e educação, como devem se comportar os profissionais. Alguns sorrisos, pelos menos os meus, tiveram um fundozinho irônico, afinal sou humano. Imagino que meus " adversários" devam também ter usado algum truquezinho. Faz parte do jogo. Interrogatório feito. Nada de novo. -- " Não bebi nada" "--Vinha devagar. Passei no sinal verde na esquina anterior, Vinha em segunda, e quando sinal abriu, arranquei" " Andamos por alguns bares, mas não bebemos nada" " Passamos por último no Jokers. Tava fraco, resolvemos ir embora".. Interrogatório que mais tarde veio se mostrar completamente mentiroso, dissociado de todas as outras provas coletadas. Engoli em seco, e tudo bem! Afinal seria muito pretensão minha imaginar que fosse conversar ter bebido, passar o sinal vermelho, e vir "assobiando" o turbo da camionete ( depoimento de testemunha). E principalmente ter sido " sequestrado" do local pelo titio R.Requião. Tive de engolir também: " Fui embora do local, pois ninguém disse que era pra ficar alí" É melhor ouvir isso do que ser surdo. Nova festa na saída. Aquela vontade de não falar com a imprensa, mas também não faz muita questão de se esconder. A preocupação continuava com o topete. O fato de ter matado duas moças e ferido outros dois jovens, parecia ser secundário. Essas moças foram, mais tarde, covarde e injustamente taxadas de prostitutas ( o que não é verdade), como se não fosse crime matar prostitutas, e uma coisa tivesse a ver com outra. Passada a indignação que restou, mesmo não sendo o primeiro dissimulado que interroguei, voltamos às diligências. Não preciso dizer que o assunto recorrente na delegacia era o inquérito em questão. As apostas pululavam.Ninguém acreditava que ele chegasse ao final. Em várias oportunidades me imaginei sendo afastado da presidência dos autos. Enfim, não seria a primeira vez que isso aconteceria.Em outras, em que os indiciados eram "fortes", tive o inquérito tomado de minhas mãos. Isso eu conto, outra hora. Isso me leva a pensar. Seria eu tão rígido ao ponto de causar pânico aos indiciados, e principalmente àlguns superiores? Não sei porque a preocupação. Em toda minha carreira, não tive qualquer problema dessa natureza. Muito ao contrário. Os que me conhecem sabem disso. O fato de ter atravessado todo esse mar de confusão, sem afundar meu barquinho, por si só é uma demonstração inequívoca, de que as coisas sempre tiveram o rumo certo. Aliás, tem gente pagando indenização, que já poderia estar em minhas mãos, não fôra a " velocidade" da Justiça, por conta de ter falado mais do que devia. Só por curiosidade, tem a ver com este inquérito. Mas voltando ao assunto principal, depois da comoção e confusão causada pelo "sobrinho do home", a delegacia começava a voltar ao normal. Outros delitos aconteciam todos os dias e a preocupação com eles era idêntica. Mais algumas testemunhas, sempre na mesma linha dos primeiros. Todos eram uníssonos em afirmar que a camionete dirigida pelo candidato a galã vinha em alta velocidade, e que desrespeitara o sinal vermelho. Médico conhecido da família, pressionando funcionárias do Hospital Evangélico, para onde o " grave" ferido foi levado, após 4 horas, para que modificassem a ficha de atendimento. Sem sucesso, fúria total. Mãe do indiciado mentindo o motivo da internação, o que somado a outras circunstâncias do momento do acidente, bem que poderia ser considerada como crime ( falsidade ideológica -). Mas, entendeu o douto promotor que aquilo foi considerado como um ato de amor e desespero de uma mãe, protegendo o filho. Não teve a mesma consideração com as mães das moças mortas. Talvez, por serem pessoas humildes, seu amor não fosse tão grande quanto o da mãe do indiciado. Mas,,,,mas,,,,mas..... De repente, o testemunho de duas jovens que acompanhavam o indiciado e seus amigos nos momentos que antecederam o delito. Como se ensaiado, chegaram em alto estilo, demonstrando identicamente ao indiciado, total desinteresse pelo assunto, e descaso pela instituição. Para elas era uma brincadeira de teatro. Desejo de meninas ricas em se misturar com a realidade mundana. Delas só pudemos extrair que " os meninos tinham só tomado alguns goles de cerveja nos copos dos amigos". Isso parecia sem importãncia, que nem matar prostitutas.Coisa fútil e vazia, como era esperado de testemunhas empolgadas com uma situação inusitada. No fundo, no fundo, elas representavam o sentimento comum de pessoas insensíveis e irresponsáveis, como aqueles que ocupavam a "arma" com placas AJA 1407. Não nem aí. Não nem ai. A vida boa continua.Azar de quem morreu. Pra não dizer coisa pior. .........

Aguardem.

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