sábado, 20 de março de 2010

ATÉ QUE ENFIM V

Na postagem anterior, as primeiras testemunhas foram ouvidas, e os advogados começaram a se mobilizar. O de defesa quebrando a cabeça para construir uma versão crível, mesmo diante de tantas versões apresentadas. O advogado da D. Teresinha Picolo, o ex-deputado Nilso Sguarezzi, de igual prestígio ao Dr. Botelho, se esfalfava para convencer a todos de que havia de prevalecer à tese do dolo eventual. Esforço que a despeito de seu trabalho, me parecia naquele momento supérfluo. Na minha cabeça e na do mundo, parece estar instalada essa tese. Menos para os defensores. . Não se pode imaginar uma pessoa dirigindo em alta velocidade, no centro da cidade, aquela hora da madrugada, e não respeitando a sinalização, pudesse, no mínimo, não estar correndo o risco de produzir o resultado, que afinal se deu. Durante dois os três dias seguintes, a coisa correu nesse ritmo. Entre o interesse político da chefia (aquele delegado geral de que já falei antes), e o meu de esclarecer os fatos, foram momentos difíceis. Eu não aspirada a nada naquele instante. Mesmo porque até alguns dias atrás a minha briga com o “ famoso” delegado geral e o secretário de segurança tinha sido homérica. O fato de eu estar litigando em juízo para me manter onde até então estava – 7º Distrito Policial --- tinha causado dificuldades instransponíveis de relacionamento. O relacionamento só feito a ser restaurado por conta de um interesse maior. Passei a ser o delegado mais eficiente do mundo. Engraçado que o mesmo motivo que me afastou do 7º Distrito, ou seja, o indiciamento de pessoas influentes era o que agora me aproximava da realeza. Subitamente portas se abriram (literalmente). Na Delegacia Geral entrava e saía sem cerimônias . Na secretaria de Segurança, era um tal de continência pra cá, continência pra lá. Até secretario, de repente, chegou à conclusão de que o litígio anterior tinha sido um grande mal entendido. Afinal, o que a necessidade não faz. Vamos nós. Com todo o aparato a minha disposição, que deveria ocorrer em todas as situações, o inquérito começou a tomar corpo. Até então as provas eram testemunhais. Quer dizer, não havia ainda nenhuma prova técnica a comprovar os depoimentos. Isso dava uma certa angústia, pois como já se esperava as contradições entre as testemunhas presenciais do acidente e dos policiais que posteriormente atenderam a ocorrência eram abissais. Ninguém conseguia chegar a um acordo. As tentativas de se explicar o inexplicável se repetiam. Mesmo que houvesse explicações até bem elaboradas, o fato de os envolvidos terem se evadido, com o claro auxilio do senador, não convencia ninguém. E a imprensa querendo saber. E a chefia preocupada com aquilo que já falei. E de repente chega a hora de ouvir o sedizente condutor. Intimação expedida. Advogado preocupado. “–” Não pode ser fora do expediente?”“ Sabe a imprensa tá incomodando”. Nada, horário normal. Procedimento padrão., e pronto. Aquilo já estava ficando chato. Marca horário daqui, marca horário dali e sei lá como, os valorosos representantes da mídia, como abelhas em volta do mel, chegaram apenas alguns minutos antes do horário aprazado. E vem Mauricio Requião, abrindo caminho. A seguir os defensores cercando o indiciado. Como um pop star veio cercado até a pequena sala do cartório, onde entrou sorridente e confiante, perguntando com “ cinismo” “ Pô que legal. Isso tudo é pra mim?” Passou a mãos nos cabelos se ajeitando pras fotos, como se aquilo fosse um teatro. É, talvez a certeza da impunidade já estivesse alojada no seu subconsciente. Repugnante! Nunca mais quero alguém ouvir dizer que sou meio louco. Se eu fosse só um pouquinho, teria voado pra cima dele. A vontade foi controlada.Já tinha visto tantos outros canalhas antes. E o interrogatório começou..... Isto merece um capítulo especial.... Aguardem

Nenhum comentário: