Então, entre descrença e o estresse, as testemunhas foram uma a uma sendo ouvidas. Até aquele instante ninguém tinha oficialmente se anunciado como motorista da camioneta Explorer. O amigo chamado às pressas, e que --- segundo a Polícia Militar --- tinha deixado os documentos pessoais caídos no interior daquele veículo???!!!!, viu o tamanho da encrenca e resolveu pular fora. Lá pelas tantas, João José de Arruda Jr, resolveu assumir a autoria. Atitude louvável -- segundo a defesa---e deplorável pro resto do mundo.Afinal de contas, até aquele instante, ele e seu staff, estavam tentando inventar uma boa estória. Em que pese o brilhantismo do advogado de defesa, ex- secretário de Estado, algum tempo depois apareceu nos autos um documento que ão se coadunava com a categoria do defensor .Entre outras coisas, pedia a cópia dos autos do Inquérito Policial que tratava de um acidente ocorrido entre o carro do requerente, uma camionete Ford Explorer e outro veículo que não sabia a marca (sic). A preocupação foi tanta com as vítimas do acidente, que sequer lembravam ou sabiam a marca do outro veículo envolvido. Sabe-se lá porque. Talvez pelo estado emocional alterado, ou o estado normal alterado por qualquer outra coisa. Lembram-se do depoimento do taxista Isais? "Existia bebida no carro" Vá saber. Depois de descobrirem com quem havia colidido, finalmente o motorista resolveu se identificar..... Enquanto isso, policiais militares iam sendo ouvidos. Alguns se fingiram de bobos, enquanto outros, talvez mais experientes ou menos dependentes, desceram o verbo. Lembro-me muito bem do depoimento de um deles. Comentou com os colegas, e depois disse em depoimento: " Vou me mandar, que isto vai dar cagada. O homem veio aqui e levou todo mundo embora." Essa frase singela parece sintetizar tudo quanto ocorreu na cena do crime ( repito , delito é diferente de acidente). A sintonia entre os depoimentos dos policiais militares me soou perfeita demais para a situação. O ensaio deve ter sido muito bem feito. Não disseram nem sim, nem não, muito pelo contrário. As alegações pueris de que, os integrantes da camionete foram embora sem serem vistos, mas que não foram levados por ninguém, parecia um insulto à inteligência deste que vos escreve. Se não viram os "elementos " irem embora, como poderiam afirmar que não foram levados por ninguém?Enfim, contradições à parte, o essencial foi preservado. Ninguém quis comprometer ninguém e muito menos se comprometer. Lamentável, não só fato de "ninguém ver nada", e de o SIATE, pertencente a melhor polícia militar do Brasil, ser solenemente ignorado, como se depreende do comentário futuro do senador, de que o sobrinho se retirou do local, por se encontrar ferido com gravidade. Esta informação, como as outras prestadas pelo senador no decurso do inquérito, foi econômica em matéria de verdade, pois o "ferido grave"( e aí sim somente poderia ser removido pela autoridade médica do local)
foi levado ao hospital horas após, e internado às custas de mais uma mentira, com pequenas escoriações. Mais lamentável de tudo isso, foi a embaraço causado à investigação, com a não realização de teste bafométrico, e a imediata e segura identificação do condutor. Mesmo assim, ninguém afirmou solenemente que o senador tenha levado os ocupantes camionete. Hoje, decorrido algum tempo e com uma visão mais global do acontecido, surge entre tantas perguntas, uma que me permito deixar a título de reflexão, e gancho para a continuação de amanhã: Se não houve a participação do senador na retirada dos "meninos", e eles estavam apenas "encostados" na viatura policial, ao invés de estarem no seu interior, por que simplesmente não tomaram um táxi e foram embora? Afinal, mesmo com o grande número de policiais presentes, ninguém viu a saida deles. Então, estava fácil ir embora. Ou não estava?...
amanhã tem mais....

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