quinta-feira, 18 de junho de 2009

RODA DA VIDA.

Tudo igual, como sempre. Quantas vezes ouvimos esta expressão e não demos muita importância. Talvez, por imaginar tratar-se de mais um ditado daqueles inventados pelos adeptos da cultura inútil. Engano total. A vida corre em circulos , pelos menos no que respeita ao descumprimento das leis e normas da sociedade. Ao verificar, agora no ano de 2009, todas as circunstâncias envolvidas no "acidente" de trânsito produzido pela irresponsabilidade de um jovem ex-deputado, volto ao quase longínguo ano de 2001, mais precisamente ao dia 27 de outubro. Na esquina das ruas Amintas de Barros, com Tibagi, nos fundos do Teatro Guaira, por volta das 05,00 horas da manhã, uma camionete ocupada por quatro jovens, em alta velocidade e sem respeitar o sinal que estava vermelho, colidiu com um Astra que vinha em velocidade normal e pretendia cruzar o sinal verde. Resultado imediato: duas mortes e dois feridos graves.Mais um para compor as estatísticas, diriam alguns. Normal pelo horário e pela idade dos envolvidos, todos jovens, inclusive os que morreram. É, mais não foi um acontecimento normal, pelo menos a partir da espúria intervenção do então Senador Roberto Requião. Como que do nada apareceu com seus modos e sua educação por todos conhecidos, e mudou o roteiro do filme em que familiares seus tinham o papel de bandidos.Protagonizando aquele conhecidíssimo recurso nacional - o famoso carteiraço - entrou em ação o então Senador da República, Roberto Requião do Mello e Silva, adepto da guerrilha verbal, e após atemorizar todos os policiais militares,sob o comando de uma aspirante de vinte e poucos anos, simplesmente sacou do local do crime ( aquilo foi um crime), os bronzeados,fortes e bem criados ocupantes da camionete, sem sem preocupar com os simples mortais que jaziam entre as ferragens de um carrinho bem mais modesto do que aquele que os abalrroou. Impediu a correta identificação do motorista. Impediu que fossem submetidos a exame de dosagem alcoólica.Impediu saber as reais circunstâncias do ocorrido. E se mandou, utilizando-se de seus contatos, para socorrer o sobrinho "gravemente" ferido, segundo suas próprias afirmações posteriores. Desprezou o trabalho do Siate, ali presente. Preferiu buscar conforto junto a seus aliados no Hospital Evangélico. E acertou, pois um ilustre doutor daquele hospital, depois de constatar as "gravíssimas" lesões do sobrinho do senador, promoveu verdadeiro embate com as enfermeiras que se recusaram a alterar o boletim de atendimento. Tudo isso coadjuvada pela ilustre irmã do senador, que assinou inclusive declaração falsa do ocorrido. Enfim,não se colheu material para o exame de sangue. Dificultou-se sobremaneira a investigação policial, que somente chegou ao motorista, depois de três tentativas de se apresentar um condutor . E de todas as formas procurou obstaculizar o andamento do inquérito por mim presidido, enquanto que familias humildes choravam seus mortos, uma de 17 e outra de 18 anos. . Mais isso é uma outra estória a ser contada, e a será com certeza em outra oportunidade. Por enquanto, voltemos aos dias atuais, e a volta da roda da vida. Sempre ouvi dizer que coincidências não existem,mas comparando os fatos ocorridos pós acidente por mim vivenciado como delegado e o ora ocorrido, devo me render às evidências. Vi com muita tristeza, as tentativas infames de mudarem os fatos. Os radares tão eficientes quando se tratam de multar, não conseguiram visualizar o carro do deputado, sendo necessário a divulgação de possíveis irregularidades, para que se oficialize uma posição. Câmeras de um posto de gasolina, tiveram seus registros alterados. Ouvi sobre a criação de CPIs na Câmara e na Assembléia, e também sobre ligações que se sucederam após o trágico evento. Vi um súbito ataque de amnésia seletiva por parte do indiciado, que lembra-se de tudo, menos do que é para lembrar.Vi o dono do restaurante onde o causador do delito "carregou as baterias", brigando com repórteres de televisão. Vi, por outro lado uma mãe-leoa, mostrando suas garras em defesa do seu filho(identicamente a D. Teresinha Picolo, mãe de uma das vítimas do delito anterior). Conheci um pai,ainda anestesiado pela tragédia, buscando explicações, com sentimentos tão conflitantes como desejo de justiça e a culpa de ter presenteado o filho com um carro. Vi um advogado brigador e que me remete aos tempos na nossa gloriosa Faculdade de Direito de Curitiba, onde partilhamos momentos.Vi uma mobilização popular imediata e verdadeira, procurando apenas aquilo que dizem temos direito sem precisar brigar - JUSTIÇA -
Pena que a briga que presenciei lá atrás, foi muito desigual e o resultado não foi o esperado. O condutor daquele veículo - também uma camionete possante - teve uma condenação dentro dos padrões do homicidio culposo, o que sinceramente espero não aconteça agora.Pena que o "condenado" foi trabalhar num órgão estatal, e continuou dirigindo mesmo estando com a habitação suspensa ( outra coincidência). Pena que ascendeu politicamente e é pré-candidato a deputado federal, com as bençãos do tio , e que aparentemente o episódio não contribuiu para sua melhoria como pessoa, e nem como exemplo para outros tantos do seu círculo. Espero, e sei que vai acontecer, que desta vez o resultado será outro. Espero também que o Delegado presidente do feito, não seja gentilmente "convidado" a se aposentar, como ocorreu com este que vos relata, e tenha que aguardar, como eu, anos para poder se manifestar,. Isso decorreu face a mais uma invenção do ilustre governador, de insistir em negar a aposentadoria a quem legalmente tem direito. Como cautela e caldo de galinha não faz à ninguém, esperei um pouquinho... Sabe como é, de repente pode acontecer uma "coincidência desagradável".

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