quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

ANO NOVO, VIDA VELHA

Lá se vão sete dias do novo ano, e nada de novo no ano. Aliás, tem sim coisas novas. Contas novas. Janeiro entrando solerte e faceiro, junto com os tais Ips. Ipva e Iptu e outros que tais, a comprometer o já combalido orçamento da maioria dos brasileiros. Isso, juntando com as famosas despesas de final do ano, onde tudo parece ser possível, e a leve "marolinha" anunciada pelo nosso ilustre presidente, referindo-se a crise mundial, não vai dar resultado diferente.Estouro no caixa. Mas, não se preocupe, daqui a pouco vem o carnaval, e mágicamente durante alguns dias, esquecemos tudo de novo, e vamos lá gastar o que sobrou, se sobrou. Se não sobrou, igualmente não se preocupe, principalmente se for funcionário público ou aposentado. Vai lá e implanta mais um descontozinho naquela coluna da direita. Afinal os empréstimos consignados servem pra isso mesmo, tapar os buracos que fazemos por conta das convenções sociais. Imagine o final de ano, sem presentes, sem aquela misturança de comida. O passar do ano, sem roupa nova ( de cores pré-determinadas - isso seria com hífen ou sem hífen. Sei lá, entenderam né). Amarelo, para atrair fortuna.Vermelho cor da paixão. Calcinha branca, pra clarear as virtudes, e assim por diante. E assim começa o mês de janeiro e o ano da graça de 2009. Começa sem graça, na verdade. Começa com ressaca, com o fígado estourado. Com uns quilinhos a mais, principalmente na região abdominal, e sem nenhuma novidade substancial, a não ser o fato de que as contas estão aí, como em todos os meses. Dia primeiro do ano, a ressaca. Dia 02, nada de estranho. Dia 03, dia 04, dia 05, dia 06, dia 07, a vida igual.E assim vai ser se a gente não tomar aquelas providências básicas, de levantar cedo, e trabalhar bastante. As promessas, as expectativas, os planos, só hão de se concretizar, se formos à luta. Fico impressionado quando vejo pessoas inteligentes e sensatas, algumas já com alguns outonos nas costas se impressionando com suas próprias promessas, que teimosamente só aparecem no final do ano. Ou seriam no começo das bebedeiras festivas?. Prometem tudo, inclusive que vão virar boa gente, numa implícita aceitação de que não foram tão bons quanto deveriam ser.O único problema dessas promessas é que parecem funcionar apenas no ano que vem. E como são repetidas, logo após o advento do novo ano, naturalmente estão fadadas a serem cumpridas somente no ano seguinte. E assim conheço gente, que vem reiteradamente prometendo coisas, sem cumpri-lás. A esse respeito, acho estranho também que as pessoas tenham que, ainda por força da convenção estabelecida, prometer que vão comportar bem, como se isso não fosse uma condição implícita, ao ser que vive em sociedade. Mas, enfim, que se façam as promessas, que se pense coisas boas, e que pelo menos por algum tempo se pretenda viver como prometeu. Pena, que o tempo vai passando, os problemas vão chegando, a vida vai envolvendo as pessoas, e as promessas se dissolvem como nuvens passageiras. E lá vamos nós ao longo do ano, e da vida, sobrevivendo aos trancos e barrancos, esquecendo-se de viver. E lá pelo final do ano, quando dezembro chegar, corremos em busca dos presentes, e após constatar mais uma vez --- puxa esse ano passou muito rápido ----, prometemos que vamos virar gente boa e que nunca mais vamos beber, embalados pelo que resta de bondade em nossos corações e pelo chá de boldo, companheiro inseparável e protetor do nosso fígado, ou do que resta dele. Bom ano prá todo mundo. Prometo que....... brincadeirinha.

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